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A MESMA CHUVA

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A mesma cidade, a mesma cheia, as mesmas ruas, os mesmos prejuízos, os mesmos desabrigados, as mesmas mortes e as mesmas causas. Tudo igual ao que vem acontecendo nos últimos anos em áreas urbanas Brasil afora. Não importa se a inundação acontece nos locais onde o caos urbano é uma imutável realidade ou em minúsculas cidades do interior do Nordeste; a diferença está só no tamanho dos danos causados. O pior de tudo é que as soluções que continuam sendo adotadas têm como prioridade o combate aos efeitos. Até se entende por que, afinal, não há como deixar milhares de desabrigados nas ruas ou pontes para serem reconstruídas ou estradas a recuperar. É urgente garantir a normalidade da vida das populações até a próxima enchente. Uma coisa chama a atenção e não está associada à megalomania lulista: como um país que tem uma engenharia civil tão avançada não consegue controlar cheias previsíveis? E por que as cidades estão se tornando a cada dia um local pouco amigável para se viver, se a engenharia pode ser utilizada para planejar, executar e controlar o seu crescimento? Na verdade, ao falar nas possibilidades oferecidas pela engenharia como instrumento técnico e tecnológico, se quer atingir o foco mais importante que é a gestão das cidades e das pessoas que nelas vivem. Está ficando mais evidente que certas áreas da administração pública não podem ficar entregues a gestores unicamente indicados porque participam de campanhas eleitorais. Há que haver espaço para acomodar os compromissos, porém em alguns postos a afinação entre a gestão política e a técnica é uma questão de sobrevivência para todos. O Brasil, com a sequência de cheias de Norte a Sul e de Leste a Oeste enfrentadas nos últimos anos, parece ter aprendido pouco a julgar pelo que se vê e ouve dos discursos e promessas do governo federal para implantar um sistema de controle, contenção e gerenciamento de recursos hídricos. Não é possível imaginar que verbas orçamentárias liberadas emergencialmente ou por força do trabalho de parlamentares possa ser considerada uma ação de estruturação de regiões geográficas para enfrentar enchentes. O maior problema, hoje, do Brasil não é falta de dinheiro público, e sim a destinação que se dá a ele. Se não houver um plano nacional para gestão das cidades com o rigor de um planejamento de guerra, será necessário um século de cheias para que o Brasil consiga conviver com chuvas em excesso, algo que, graças a Deus, ainda acontece na Terra.

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