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Nº 5715
Opinião

Romanceiro da usina

OSCAR DIAS CORRÊA * Faz dois anos que, recebendo o “Usina Santa Amália”, saudei-o, estrepitosamente, dizendo ao poeta: “Alvíssaras pelo livro: sem ser crítico literário, li-o de um trago, no seu ritmo diferente, de cordel culto, balada nordestina, pois

Por | Edição do dia 04/10/2002 - Matéria atualizada em 04/10/2002 às 00h00

OSCAR DIAS CORRÊA * Faz dois anos que, recebendo o “Usina Santa Amália”, saudei-o, estrepitosamente, dizendo ao poeta: “Alvíssaras pelo livro: sem ser crítico literário, li-o de um trago, no seu ritmo diferente, de cordel culto, balada nordestina, pois não só a Usina nele esplende, como a gente que a compõe de lhe dá vida, com a emoção do afeto e do reconhecimento. Canta a realidade da região, com vivacidade de tessitura, desde a figura do coronel Laurentino, patriarca dos Gomes de Barros, ao “requiem” do “Fogo Morto”, para depois do quadro “Do Alto Camaragibe”, se iniciar com “Alvorada” e pintar toda a saga da gente e da cana, em estilo original, de ritmo harmonioso, que dá à narrativa requintes de vera poesia. O romanceiro da Usina não poderia ser melhor, e enriquece Alagoas e o Nordeste, num retrato que todos gostaríamos de ter debuxado, como ao comparar, no apuro final: “... Nada se compara Da Usina Santa Amália Ao açúcar demerara *** Mestiço e gostoso Doce e trigueiro Igual igualzinho Ao povo brasileiro”. Pelo que arrematei a apreciação: “Poeta, vá em frente, que o gene é bom, o estilo é novo, a inspiração é muita e o povo merece!” O poeta seguiu o rumo, publicou o livro, com a unânime aprovação das gentes. É que o Brasil é grande demais para que o conheçamos todo, na sua intimidade e na beleza da gente que o povoa. Não há, no mundo, País igual, nem gente igual, dizem-no todos os que, conhecendo-nos, se afeiçoam para sempre. Por isso, nada melhor do que topar, de repente, com um poeta que resume, no verso, a vida que conheceu, e que lhe enche a alma, dando-nos o privilégio de sentir o palpitar da terra na tradição da luta sem trégua e da vontade sem volta. Pena é que só apareçam de vez em quando e não sejam tantos que inundem a literatura brasileira: viveríamos mais felizes em nossa auto-estima, e melhoraríamos o ímpeto de enfrentar egoísmos insaciáveis que nos espreitam, fortalecendo-nos na defesa do que é nosso, e que só não nos tomaram ainda porque, embora muitos não o sejam, Deus é brasileiro. (*) É MEMBRO DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS

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