Opinião
A viol�ncia
O atual século começou com os jovens na faixa etária de 15 a 24 anos aparecendo nos dados do Subsistema de Informação de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, como as principais vítimas da violência no País. E este entre as 12 nações que já registravam mais de dez óbitos por 100 mil habitantes/ano. Os mesmos dados chegaram a ser citados, há dois anos, pelo senador Lúcio Alcântara, do próprio partido do presidente FHC, o PSDB, em pronunciamento no Senado. Na mesma oportunidade, ele sugeriu que a reversão desse quadro deve passar, necessariamente, pela educação. Há poucos dias, em Brasília, o representante no Brasil do Alto Comissário da Organização das Nações Unidas (ONU), Theodore Rectenwald, declarou que o próximo presidente, seja ele quem for, vai ter que evitar retrocessos legais nessa área e tirar as leis bonitinhas do papel. Segundo a Folha de S. Paulo, Rectenwald também vê a pobreza e a má distribuição de renda como principais causas da violência. ?Por isso, não adianta só falar em recrudescer leis e mecanismos de repressão, como alguns candidatos defendem?. O site Terra traz os números de uma recente pesquisa da Organização Mundial de Saúde (OMS) que mostram o Brasil como o terceiro país mais violento do mundo, atrás apenas da Colômbia e de El Salvador. E também os motivos de estarmos vivendo esta realidade verdadeiramente assustadora. O documento indica como o principal deles a desigualdade social, vindo, em seguida, a impunidade, o consumo de álcool e o desemprego. A OMS leva em conta quase todas as formas de violência. Salienta que esse fenômeno já provoca cerca de 1,6 milhão de mortes por ano no mundo, quase metade delas por suicídio. E informa que só os homicídios representam mais ou menos um terço da mortalidade. A quinta parte dessas mortes se deve à guerra. Somente os números dos assassinatos e assaltos registrados nos últimos quatro anos no Brasil, e especialmente nos Estados mais pobres, como o nosso, cuja Capital é uma das mais violentas do País, são suficientes para os próximos governantes agirem com mais empenho do que os de agora no campo da segurança pública.