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Opinião

MAIS UM PROGRAMA NA SA�DE P�BLICA

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Recém-formado em Medicina, recebi um convite para trabalhar em uma cidade do interior. Durante o curso havia me preparado para essa eventualidade frequentando as principais clínicas e salas de cirurgia. Mas, na época, as oportunidades de trabalho eram bem maiores para os que recebiam o diploma de médico: havia cerca de 180 médicos no Estado; isto nos idos de 1958. Essa geração acompanhou a veloz evolução científica e tecnológica da medicina e mudanças no campo do exercício médico e na saúde pública. No momento, uma novidade: a criação do Programa de Valorização dos Profissionais de Atenção Básica. A partir de fevereiro serão abertas 2.000 vagas nesse programa, no País, destinadas a formandos que vão trabalhar em municípios de extrema pobreza ou na periferia das grandes cidades. Um ano ou dois e ganharão pontos em relação à Residência que queiram realizar. Na discussão do tema, uma opinião ouvida: ao levar o médico para essas cidades, será necessário garantir um suporte de apoio aos recursos diagnósticos, terapêuticos e acesso à informação. Hoje, são formados cerca de 16 mil médicos por ano no país, em 180 escolas médicas. É gritante a desproporção de médicos entre os estados, dentro de cada região e entre a capital e o interior. Enquanto o Maranhão, por exemplo, tem um médico para cada 2.066 pessoas, o Rio de Janeiro tem um para 306 habitantes. Alagoas tem cerca de 4.000 médicos inscritos no Conselho Regional de Medicina (Cremal), com uma média de um médico para 780 habitantes; a maioria dos profissionais está concentrada na capital. No Brasil nem sempre bons programas na área da saúde pública dão certo. Há um enorme hiato entre a teoria e a ação, entre necessidades e recursos financeiros de apoio. O SUS, com a universalização pretendida, é um bom exemplo. O PSF, que vai à fonte na área de atuação, depende de gestores locais. Há municípios em que falta quase tudo para um bom atendimento: espaços adequados, mobiliários, e até estetoscópios e tensiômetros, além da oferta de uma remuneração digna do trabalho realizado. Saúde é um bem o qual nenhum outro se pode gozar. É necessário apoiar a luta dos que almejam um melhor sistema de saúde pública.

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