Opinião
O novo mundo do velho desemprego
Não está fácil a coisa no mundo laboral depois da grande crise de 2007. Desde aquele fatídico ano, têm desaparecido postos de trabalho. Pelas contas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), este recente quadriênio deixou 27 milhões trabalhadores sem emprego no globo. Segundo a OIT, ?o mundo enfrenta hoje um desafio urgente na criação de empregos?. A entidade estima a necessidade de geração de 600 milhões de postos de trabalho ?ao longo da próxima década?, para ?manter níveis de crescimento sustentável e coesão social?. Afirma a OIT que ?entre 2007 e 2010, a proporção de pessoas empregadas no mundo, em comparação com a população total, teve a maior queda registrada nas estatísticas: de 61,2% para 60,2%?. As estimativas da instituição apontam para a entrada anual de 40 milhões de pessoas para o mercado de trabalho. Numa década, portanto, a necessidade básica seria 400 milhões de novos empregos para absorver esse volume de novos trabalhadores e ?e mais 200 milhões para lidar com o atual estoque de desempregados?. Alerta a OIT que ?um em cada três trabalhadores no mundo ? ou cerca de 1,1 bilhão de pessoas ? ou desempregada ou vivendo na pobreza?. E mais: ?não basta apenas gerar vagas para os desempregados. É preciso também criar vagas mais dignas para pessoas que já são consideradas hoje empregadas?. O estudo denuncia ainda que ?900 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza, com renda familiar até US$ 2 por dia, a maioria delas nos países em desenvolvimento?. Com o inevitável encurtamento dos espaçamentos entre os países, graças às facilidades de transporte (e do tráfico de pessoas), é óbvio o aumento irrefreável do fluxo migratório, com levas de excluídos em seus países buscando novas oportunidades no que possa ser suposto como o porto seguro mais próximo. O Brasil, sem dúvida, passa a ser um desses alvos das legiões de deserdados, vide a atual maré de migrantes haitianos. Como nunca dantes na história deste planeta, a multiplicação de empregos passa a ser uma prioridade mundial.