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Opinião

Uma bela revolu��o sem rumo

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Ontem, os egípcios comemoraram o primeiro aniversário do início da revolta que decretou o fim do governo Mubarak. Festejo meritório, apesar de os festejantes (e da grande maioria silenciosa) não saberem para onde está indo o movimento explodido há um ano na Praça Tahrir. Depois de 30 anos no poder absoluto, Hosni Mubarak foi defenestrado da cadeira presidencial pelo tremor das ruas do Cairo e das principais cidades do Egito. Era a versão, na terra dos faraós, da onda de indignação que varreu alguns dos mais expressivos países árabes, a principiar pela modesta Tunísia, com a derrocada de Bem Ali. Dos alcançados pela rebelião, o derradeiro a cair foi Muamar Kadafi, que resistiu bom tempo, mas findou esmagado pela força da Otan, humilhado e assassinado em praça pública. Mubarak é réu de um longo processo. Poderá ser conduzido à forca. O será, caso este gesto possa ser entendido como um bálsamo para as inquietas ruas egípcias. Mas, em verdade, continua vivo e forte o regime autoritário do qual ele se serviu desde o assassinato de Anwar Sadat, em 6 de outubro de 1981. Mudanças cosméticas aconteceram e mais ?novidades? deverão ser apresentadas; mas democracia que é boa, até agora, nada. Um dos aperitivos anunciados pelos militares que seguem governando o Egito foi a libertação de alguns presos políticos e a revogação (formal) da lei de emergência, que vigora há 40 anos. Pelas ruas e praças, à toa, o movimento formado por milhares de militantes vai fazendo suas passeatas, acampando aqui e ali. Sem líderes reconhecidos como tal, às massas insurrectas apresentam-se os candidatos a ?pais da revolução?: os mais influentes são a Irmandade Muçulmana, que empalmou o Parlamento eleito pós-revolta, e o Conselho Supremo das Forças Armadas, que renegou seu velho Marechal da Força Aérea, Muhammad Hosni Mubarak El Sayed, convertendo-se, num átimo, em pretenso comandante da rebelião contra eles próprios. Desnorteadas, mas apostando no futuro, tomando consciência da própria força, as multidões egípcias fazem sua merecida festa. Mas a luta está longe de terminar.

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