Opinião
PETRALHAS E PRIVATAS
Cantada em versos e prosas por socialistoides e outros sabidões pendurados em sinecuras governamentais, a estabilidade econômica do País não chega ao dia a dia do cidadão comum. Em idade provecta, vi variadas coisas nessas seis décadas, máxime na área da Saúde, praticamente desde a infância. Literalmente, fui criado num hospital psiquiátrico, inusitada experiência familiar, onde dividi lazer de criança e adolescente com pacientes internados, além dos deveres funcionais com a instituição. Por essas vivências, suponho não carregar na alma resquícios de traumas, tiques ou outros estigmas. A longa convivência com o desvario permitiu-me razoável faro clínico para identificar e repelir o perturbado, habilidade às vezes útil, sobretudo quando esbarro em paranoicos agressores e alcoólatras em fúria. Contrariando preceitos bíblicos, a vida mostra que não se deve dar a outra face. Nem só de psiquiatria vive o homem. Petralhas e outros segmentos conseguiram detonar a titubeante estrutura de saúde pública, ainda nos tempos da ditadura. Até São Paulo cairia nesse conto do vigário. Foi quando os postos-chaves foram entregues aos ?cubanistas?, aquela turminha de sindicalistas que, chapada, alucinava substituir a bota dos milicos pela ferradura stalinista. O fato é que a Saúde foi entregue, de mãos beijadas, à Privataria. (O Enem segue o mesmo caminho). Até o fim da passada década de 70, Golden Cross e outras siglas soavam distantes. Coincidentemente, em 1976, operei um associado desse grupo, situação incomum naquela época. Hoje, o sujeito ganha uns trocados a mais e já pensa em fazer um plano de saúde, por sinal cada vez mais extorsivo e menos eficiente. O cara faz um esforço tremendo para fugir do SUS e acaba nas garras de quadrilhas de desqualificados. A propósito, em texto da semana passada, referi os vinte reais que o SUS paga aos anestesistas por procedimento de risco. Não houve qualquer repercussão, a não ser entre alguns colegas. Setores da imprensa, que costumam lascar o pau nos erros médicos, não deram o ar da graça, certamente achando um absurdo médicos brigarem por remuneração. Mas a Cidade Sorriso convive também com a realidade das inundações. Na última chuvada, residentes das imediações da Rua Floriano Ivo, no Farol, entraram em desespero com a enxurrada que derrubou muros e inutilizou móveis e eletrodomésticos. O detalhe é a exorbitância de taxas de IPTU e esgotos.