Opinião
A FOR�A DA INTELIG�NCIA
Madrugada tranquila de sexta-feira, no interior de uma agência bancária, quatro homens igualmente tranquilos estão de posse de um maçarico e já terminando a ação de corte de um terminal de autoatendimento. Todos estão com arma de fogo. Nesta ocasião, policiais ingressam no local, após intenso trabalho investigativo, e, sem dispararem um projétil de arma de fogo sequer, prendem todos os integrantes da quadrilha, inclusive os que permaneciam de fora, dando apoio à Orcrim. A quadrilha foi responsável por diversos crimes de arrombamentos de terminais bancários nos Estados de Pernambuco, Paraíba e Alagoas. Essa foi uma das muitas operações protagonizadas pela polícia alagoana que conseguiu desarticular essa modalidade criminosa. No Nordeste brasileiro, assim como em São Paulo, avolumam-se os crimes dessa natureza. Mas aqui há que se registrar uma diferença: de 2009 para 2010, houve uma redução de 76% nos eventos criminosos, e em 2011 os índices foram praticamente os de 2010. Tal fato se deve, sobretudo, ao trabalho de investigação sério ? e aí reside a importância da inteligência. Sabe-se que, nas últimas décadas, as atividades criminosas passaram por mudanças que culminaram em ações cada vez mais organizadas. A atividade policial tem que seguir na mesma trilha, sem se restringir à visão arcaica de outrora, na qual a investigação cingia-se à busca de prova testemunhal. Neste aspecto, é pertinente a lição de Hannah Arendt, para quem uma das notas típicas do pensamento corresponde à percepção sobre o fenômeno da ruptura. Para ela, a ruptura traduz-se num hiato entre o passado e o futuro, gerado pelo esfacelamento dos padrões que compõem o repertório da nossa tradição. Trazendo ao campo da Segurança Pública tal pensamento, que foi utilizado na explicação e repúdio ao totalitarismo, guardadas as proporções, pode-se dizer que, na investigação policial, houve ruptura e mudança de paradigmas entre a visão pautada em conceitos antiquados de investigação, alguns sob a égide da ditadura, e a gestão da informação em um setor de inteligência policial. Assim, divisões policiais que atuam com técnicas de investigação têm maiores chances de esclarecer fatos delitivos incluídos na categoria de organização criminosa. Essa pode ser a resposta mais eficiente para um tipo de crime que não se resolve apenas com polícia ostensiva, nem com a mera prova documental ou testemunhal. As estatísticas de crimes contra instituições financeiras em nosso Estado e a alta elucidação desses delitos estão aí para comprovar.