Opinião
ENFIM, QUERIDA COLEGA CECI!
Assisti, dos Estados Unidos, à reportagem do JN sobre a ?Chacina da Gruta?. Relembrei o brutal assassinato da querida colega de turma Ceci Cunha. Os dias agitados de viagens fizeram-me adiar esse artigo, deixando para produzi-lo durante o voo Miami-São Paulo. Conhecemo-nos na Faculdade de Medicina da Ufal, ainda na Praça Afrânio Jorge, no início do ano letivo de 1970. Seu semblante risonho e sereno foi a todos cativando. Era carismática. Após nos formarmos, em 27 de dezembro de 1975, encontrávamos sempre nos cursos e congressos de ginecologia, por termos a mesma especialidade. Juntas, com nossos maridos e vários casais de colegas, visitamos a bela Europa. Acompanhei a honrosa carreira política iniciada em Arapiraca, sua cidade natal, onde era queridíssima. Prestava inúmeros serviços profissionais filantrópicos. Subitamente, no dia da posse de seu segundo mandato como deputada federal, ouço a inimaginável notícia de seu trágico e covarde assassinato. Fiquei chocada! Não somente eu, como nossos colegas, amigos e toda a sociedade alagoana! Nós, médicos da turma de 1975, compartilhamos telefonemas, e, enfim reunimo-nos na casa do saudoso colega José Bernardes, que conosco liderou vários movimentos, como colocação de outdoors em diversos pontos da cidade cobrando às autoridades esclarecimentos e punição para os culpados. Foi-se a mãe, a irmã, a amiga, a médica, a deputada federal, com seu amado Juvenal e mais dois membros de sua família. Ficaram 2 filhos adolescentes, podados do amor, da educação e da referência idônea de seus pais. Deixou, ainda, demais familiares na desgraça e na descrença... Passaram-se 13 anos! Ficou a convicção de que, em nosso Estado, até uma deputada federal é vítima da quase impunidade! Foram 13 anos de espera, saudade, angústia, revolta e desilusão. É isso, amiga Ceci! Você teve o infortúnio de nascer na ?Assassinolândia Brasileira?: nossa Alagoas. Aqui, impera o binômio Violência e Impunidade. As autoridades anunciam benfeitorias na Segurança, mas, na prática, não se vê resultados. Nossos índices de criminalidade são crescentes e assustadores. Governantes, políticos, militares, policiais e forças-tarefas precisam, urgentemente, priorizar a segurança de nossa assustada e descrente sociedade. Que dezenas de outros misteriosos assassinatos não fiquem na omissão e obscuridade. Após 13 anos... Enfim, querida colega Ceci!