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Opinião

O indispens�vel saber da verdade hist�rica

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Para amanhã, a agenda de eventos políticos em Alagoas registra um momento pioneiro, onde o Poder Executivo, formalmente, pedirá perdão por uma tragédia desencadeada há um século. O ato, por ser inusitado em Alagoas, deverá marcar época. Mas sua maior importância deverá ser o incentivo aberto para novos e aprofundados estudos sobre os fatos e as motivações do longo processo de perseguição (com recorrentes momentos de violência física e até assassinatos) aos chamados ?terreiros de macumba? em Maceió. E aquele foi um período consideravelmente largo. A própria extensão de tempo durante a qual os ?xangôs? sofreram massacres na capital alagoana é quesito a esclarecer com mais precisão. Poder-se-ia dizer, com segurança, ser a data de 1º de fevereiro uma referência histórica, icônica, para todo um período de trevas ainda pouco estudado. Dever-se-ia, simultaneamente, chamar a atenção do público para o fato de que essa barbárie foi algo muito maior e mais grave que um dia ? ou mesmo um ano ? de fúria contra os terreiros. As vinculações e motivações políticas que teceram as condições para a construção daquele longo período tenebroso devem ser estudadas de forma distanciada dos preconceitos ideológicos, das predisposições religiosas e, especialmente, isentas das tentações do partidarismo. Apesar de ser justo e educativo o pedido de perdão governamental, é-se indispensável esclarecer que a vanguarda da razzia criminosa contra os terreiros esteve à cargo do que chamaríamos hoje de uma entidade não governamental: a Liga Republicana Combatente, organização civil convertida em força belicosa do tipo paramilitar, ?turbinada? pela oposição ao então governador Euclydes Malta, cuja deposição abriu as comportas para a abominável combinação da violência política e religiosa. Tratam-se, portanto, de acontecimentos tão tenebrosos quanto complexos; em tais circunstâncias, o simplismo é o atalho mais eficiente para erros de análise. Além de pedir perdão, o Estado de Alagoas deve, desde logo, investir forte no autoconhecimento (livre, isento, cidadão) dos alagoanos sobre a história alagoana.

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