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Opinião

O desafio de ir al�m do primeiro passo

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Hoje, dia marcado pelo posicionamento oficial do governo do Estado acerca de um até então período nebuloso na história alagoana, se descortina uma oportunidade para toda uma revisão de valores e interpretações sobre outros tantos episódios marcantes acontecidos em nosso Estado. Uma das questões mais importantes a ser entendida em Alagoas (quiçá também no resto do Brasil) é que não basta marcar uma data no calendário para que o fato histórico a que ela se refere seja efetivamente valorizado e que as lições dele emanadas sejam absorvidas. Infelizmente, na maioria dos casos, ao reconhecimento de uma data como marco significativo o resultado seguinte mais ?expressivo? é transformar o dia em feriado. Confere-se assim ao ócio, e para o ócio, um momento que deveria servir à reflexão e ao autoconhecimento de uma determinada sociedade. Indo um pouco além num exemplo também com raízes africanas, podemos nos mirar no que se transformou um século de lutas cruentas dos quilombolas palmarinos contra a escravidão. O dia 20 de novembro, marco da execução de Zumbi dos Palmares, reduziu uma herança tricentenária a um fugaz dia festivo enquanto o sítio histórico da Serra da Barriga segue sendo pesquisado a passo de tartaruga. E o sumidouro da Serra Dois Irmãos, ponto onde teria sido localizado e assassinado Zumbi um ano depois da queda da capital palmarina, sequer é reconhecido como patrimônio histórico (nem a nível municipal, nem estadual, muito menos nacional). Ainda sobre esta área essencial para o estudo da epopeia dos Palmares, o sumidouro da Serra Dois Irmãos, sequer está publicado o estudo realizado pelo saudoso professor Ivan Fernandes Lima, que localizou, com exatidão, esse local. Valorizar e reconhecer um episódio histórico é algo maior que comemorar uma data, apesar da importância desses marcos oficializados num dia determinado. Hoje, com o reconhecimento do episódio tenebroso do ?Quebra?, Alagoas dá um passo adiante. Mas o desafio que se nos apresenta é de uma longa caminhada em direção ao autoconhecimento histórico; só o primeiro passo não nos basta.

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