Opinião
GERSON, O ARQUITETO DOS HUMILDES
Faleceu domingo último, nesta capital, o arquiteto Gerson Marinho Sampaio, após longa trajetória de vida, marcada por gratas lembranças de seus familiares, amigos e companheiros de ideal profissional. Formado pela Universidade Federal de Pernambuco, aqui dedicou grande parte de sua existência. Era uma figura humana muito estimada pelos seus colegas de geração e pela sociedade alagoana. Sua personalidade amável e solidária criava vínculos de admiração e respeito. No Recife, trabalhou na Sudene, no auge da efervescência do desenvolvimento regional. Foi um dos principais idealizadores e defensores do projeto João de Barro, concepção destinada a atender a moradia das populações humildes, até então esquecidas. Sua valiosa contribuição, no meio de um ambiente político que se tornou incompreendido e conturbado, lhe valeu a própria liberdade, por alguns meses. Mas, permaneceu coerente em sua visão social de desenvolver projetos inovadores em benefício das populações carentes. De volta à Maceió, trabalhou na Prefeitura Municipal, na divisão de projetos urbanísticos, onde se destacou pelo talento e poder de criação. Cultivava amizades, gostava de dialogar e conquistou um lugar na lembrança sentimental da cidade. Na juventude, residiu no casarão ao lado da Igreja do Livramento. Com seus irmãos Lenice, Humberto e João Sampaio (atual Reitor do Cesmac) recebia a visita dos amigos, em clima familiar. Referência de uma época, lembrada agora com as cores de uma grande saudade.