Opinião
Conhecer e aprender com os pr�prios erros
No dia seguinte ao reconhecimento, por parte do governo do Estado, de uma data emblemática como referência de um acontecimento histórico de particular importância, é de bom alvitre focar sobre esse tema, enquanto ainda aquecido. O conhecimento histórico é um patrimônio dinâmico. Como todo bem patrimonial, valoriza-se ou se desvaloriza em função de algo. No caso, a valoração depende do interesse do público, dos estudos qualificados e de sua divulgação. O ?Quebra? teve uma barreira quebrada. Mas o porvir está assegurado? Sem incentivo, como aqui escrito antes, a tendência é o dia primeiro de fevereiro apequenar-se em mais um feriado, ou quem sabe, ponto facultativo. Seria a reedição de certa malemolência ideológica e cultural, mais uma, a parasitar o rico acervo da história e cultura alagoana. Alhures pululam exemplos que precisaríamos seguir. Ao norte, podemos pinçar numa passada larga, algo do primeiro mundo. É o caso do Smithsonian Institute, uma das instituições mais importantes dos Estados Unidos, cuja sede em Washington reúne, dentre outras preciosidades, a mais significativa coleção sobre as tribos indígenas da América do Norte. Seria o caso de perguntar se o governo americano pediu perdão pelo horroroso massacre perpetrado contra as tribos nativas? Escusações à parte, o American Indian Museum é o maior e mais completo centro de estudos sobre o tema, onde está disponível ao público um acervo preciosíssimo do que pode ser considerado um genocídio. Além da memória sobre os índios americanos, em 2003 foi criado o Smithsonian National Museum of African American History and Culture, 19º endereço da instituição, destinado a reunir o que possa existir de referências sobre a história dos laços entre África e América, com especial atenção ao período escravocrata ianque. Terá a Casa Branca genuflectido pelos crimes contra índios e negros? Tal atitude sentimental pouco representa frente aos enormes investimentos materiais em preservar e difundir a história,encarando a lembrança de acontecimentos terríveis. Este é o caminho: menos datas festivas, mais autoconhecimento, mais estudo.