Opinião
HOMENAGENS MUSICAIS
Gosto do número doze. Na antiga filosofia dos egípcios os números dez e doze significavam caminho da iluminação, traziam consigo força mística e bons presságios. O número treze reunia negatividades e infortúnios. Muitas pessoas ainda acreditam nessa superstição. Mas o que pretendo fazer é referência a dois fatos musicais: a obra ?Seresteiros da Pitanguinha? foi lançada em doze de fevereiro de 2002, com autoria de Emmanuel Fortes Cavalcante, Valmir Lombardi e Dalton Melo. É a história desse grupo renovador da música popular, contagiando multidões pela alegria, sensibilidade e encanto. Dez anos depois, 2012, outro fato significativo: compareço ao lançamento do livro ?Pintando o Passo?, de autoria de Marcos Davi Melo, apresentação do historiador Douglas Apratto e ilustrações do jornalista Ênio Lins; conta a história do Pinto da Madrugada, agremiação carnavalesca que revitalizou o carnaval alagoano de rua até então quase esquecido. São duas agremiações de minha preferência e admiração. Por uma curiosidade ? e de suas diretorias constam figuras destacadas de nosso meio social e educacional ? elas têm, tanto a Seresta da Pitanguinha quanto o Pinto da Madrugada, como figuras de proa, dois médicos de renome em seus afazeres profissionais e, paralelamente, amantes da música e do carnaval: Emmanuel Fortes Cavalcante, psiquiatra e líder da categoria médica e Marcos Davi Melo, oncologista e escritor de mérito. Sempre me perguntam por que médicos gostam de música e de literatura. Respondo que convivendo com o nascimento e a morte, doenças e curas, torna-se premente a necessidade de extravasamento de traumas acumulados. Acredito na importância da arte como fator de humanização da medicina. A música é uma das manifestações culturais mais marcantes do ser humano. Fenômeno universal, não há na atualidade uma única civilização que não domine e cultue sua própria musicalidade. A arte de combinar sons e silêncios é explicada através da melodia, harmonia e ritmo, sendo que cada um desses atributos mantém uma ligação especial com os seres humanos. A melodia interage com os sentimentos; a harmonia com o intelecto; e o ritmo com os sinais vitais: batimentos cardíacos e pulsação. Morando na Pitanguinha acompanhei o nascimento dos Seresteiros; anos depois, na Pajuçara, assisto aos disciplinados e entusiastas desfiles do Pinto da Madrugada.