Opinião
Jogo pol�tico atrapalha solu��o na seguran�a
Servidores públicos em tarefas essenciais não podem entrar em greve. É o entendimento legal sobre atividades como as da Polícia Militar. No entanto, na rotina de enfrentamento entre governos e categorias, esse princípio é frequentemente ignorado. Veja-se o que se passa agora na Bahia. A ironia no caso em tela é a presença do governador Jaques Wagner, um ex-sindicalista e militante do PT desde a primeira hora. Quando na trincheira dos companheiros grevistas, era uma voz firme pelas paralisações, de qualquer categoria. Depois, já na transição da vida sindical para o exercício partidário, Wagner era crítico ferrenho dos governos baianos e um incentivador de greves generalizadas. Hoje, na condição de chefe do Poder Executivo, vive a situação de enfrentar antigos aliados de militância e, mais do que isso, defende o que antes atacava ? e vice-versa. Como sempre, talvez a virtude esteja no meio. A mobilização dos trabalhadores é um direito sagrado, pilar das democracias plenas. Ao mesmo tempo, o gestor público deve zelar pelo bem da maioria, sem favorecimento a categorias específicas. E, no exercício dessa missão, a autoridade deve obediência máxima ao que determina a Constituição Brasileira. De tal modo, não pode negligenciar no respeito ao Estado de direito. A situação gravíssima na Bahia e o quadro de ameaças de aquartelamento em Alagoas mostram que os problemas não escolhem cores e tendências partidárias. O caso baiano não deixa de ser uma lição ? involuntária ? sobre a administração de crises. Jaques Wagner aprende que governar é mais complicado do que incendiar uma assembleia com palavras de ordem. Os Estados nordestinos enfrentam uma realidade nova: nos últimos anos, a região passou a figurar como a mais violenta do País. Os índices de homicídio atingem patamares que chamam atenção do mundo. Até por esse cenário perverso, a população do Nordeste precisa de uma política de segurança capaz de reagir de maneira eficaz a essa calamidade. Posturas envenenadas por questões menores, de alcance meramente politiqueiro, não ajudam no debate sério e na busca de soluções.