Opinião
Privatiza��o � alvo de debate equivocado
O governo brasileiro acaba de empreender uma grande operação que resultou na privatização dos três aeroportos mais rentáveis do País. Três grandes consórcios pagaram mais de R$ 24 bilhões para gerenciar os terminais de Guarulhos, Viracopos e Brasília. Segundo os princípios econômicos que prevalecem hoje em dia, a iniciativa foi muito bem recebida pelos mercados ? no território nacional e no exterior. O negócio fechado entre governo e iniciativa privada ? com os aeroportos no meio ? reabriu uma velha polêmica sobre privatização versus poderio do Estado. Mais uma vez, vozes do atual governo e representantes dos anos FHC voltam ao embate sobre a ?venda do patrimônio do País?. Para o PT e demais siglas que orbitam no entorno do governo, a gestão do ex-presidente Fernando Henrique patrocinou a dilapidação de empresas estatais. Citam como exemplo a Vale e a telefonia. Para esses mesmos defensores da ?riqueza do povo?, o que o governo Dilma faz agora está longe do mal que teria sido engendrado pelos tucanos; o que temos é ?apenas? uma concessão, por 20, 30 anos, dos aeroportos ? e que depois tudo continua como empresa devidamente estatal. Não é nada disso o que foi feito. A verdade é que o atual governo faz malabarismo para endeusar suas privatizações e carimbar como malditas aquelas levadas a cabo na era FHC. Não faz sentido. Aqui, como em outros debates, a estreiteza das demandas políticas e mesmo ideológicas põe o tema sob fronteiras pobres. Aliada a esse aspecto, entra em campo a deliberada manipulação de informações, sempre submetidas ao jogo de quem pretende ajustar a realidade a interesses particulares. O tema das privatizações vai assim alimentando mistificações e delírios, a depender das circunstâncias e dos atores envolvidos. É preciso eliminar, portanto, essa carga de preconceito que impede uma avaliação adequada das condições e das consequências da privatização de estatais. Do jeito como governo e oposição debatem, voltamos no tempo algumas décadas.