Opinião
Fiscaliza��o de obras nunca � demais
A presidente Dilma Rousseff visitou Estados do Nordeste para verificar a situação de grandes obras, como a chamada transposição das águas do Rio São Francisco. A iniciativa da presidente foi decorrência de notícias que davam conta de paralisação dessas obras. Nos canteiros, ela falou duro com as construtoras. Avisou que o governo cumpre suas obrigações, com contratos seguidos rigorosamente ? e exige o mesmo como contrapartida. Entre anúncios de convênios, assinaturas de ordens de serviço e lançamentos de ?pedras fundamentais?, de fato, podem ser tortuosos os caminhos de um empreendimento. O governo age adequadamente ao cobrar dos contratados que toquem suas obrigações nos prazos previstos em documentos oficiais. Mas boa parte do problema é consequência da leniência dos próprios gestores. Empenham-se para ter a garantia dos recursos, mas não mostram o mesmo compromisso com a correção dos serviços. Notadamente em períodos de eleição, promessas de grandes obras pululam pelos mais variados palanques. Não importam as letrinhas que formam a sigla partidária; todos seguem a mesma cartilha do oportunismo político. Não é apenas o governo federal que enfrenta situações complicadas com empreiteiras e seus construtores. Pelo País inteiro, em diversos Estados, vê-se o mesmo cenário: finca-se a placa, cerca-se o terreno e, depois, mais nada. A ironia é que, reiteradamente, autoridades reclamam das ações dos órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União e a Controladoria-Geral da União. Entrou para a história a reclamação do então presidente Lula: segundo ele, quando operários acham ?uma perereca?, algum tribunal manda parar o projeto, por razões ambientais. O exagero deve ser visto como tal. Não existe problema em fiscalizar; pelo contrário, fiscalização demais nunca é ruim. As instituições devem é zelar pelo fortalecimento das esferas que têm como papel fundamental garantir a lisura na aplicação do dinheiro público. Para isso, devem agir livres das pressões de qualquer lado.