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FESTIVIDADES, RITUAIS E CONSUMO DE SUBST�NCIAS

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A fim de compreender uma série de abusos de substâncias na atualidade, é necessário levar em consideração a experiência moderna da virada do século 21: experiência de tempo e espaço de si mesmo e dos outros, das possibilidades e perigos da vida. A ambivalência de experiência do dependente, entre o prazer e o sofrimento, a aventura e a autodestruição, deve ser considerada, no contexto de uma sociedade que oferece uma multiplicidade de drogas (lícitas e ilícitas) produzidas na velocidade de seus processos industriais, em que as identidades individuais são construídas, especialmente, pelo consumo de produtos e serviços; em que os parâmetros de empregabilidade parecem impor um mundo onde o uso de drogas representa a busca de gozo ou alívio da tensão individual gerada pelo estresse e pela depressão sentimental de uma sociedade hiperativa. A dependência química não é um fenômeno que apenas acontece no sujeito; é fruto do desenvolvimento de saberes, técnicas e práticas que o tornam socialmente viável. As drogas chegam ao indivíduo como símbolo rituais, cujo poder é dado tanto pelo efeito esperado quanto por um conjunto de significados: interação com o meio, alívio de dor, melhoria de relações, etc. Dessa maneira, o uso de drogas está inserido em uma matriz de expectativas e valores sociais. Na espera do lazer ou entretenimento, encontram-se manifestações plurais, fragmentais e experimentais. Essas manifestações já não têm a obrigatoriedade típica dos rituais das sociedades tradicionais, mas se caracterizam como atividades de adesão voluntária, opinativa e individual. Esse é o caso, por exemplo, das raves, que, embora sejam muitas vezes chamadas de ?rituais psicodélicos??, são realizadas como festas incessantemente recomeçadas todo fim de semana, nas quais os participantes experimentam uma diferenciada interação social e sensual, incentivada pelo ecstasy e motivada pela música eletrônica. Assim como os rituais, as festividades criam a demarcação de passagens. Um exemplo é o próprio réveillon, que sobrepõe aos estridentes fogos de artifício o estouro das bebidas espumantes para definir o início do ciclo anual. As festas, as comemorações e as celebrações são momentos sociais consagrados, religiosos ou pagãos. A festa, em todas as sociedades humanas, é evento de uma sociabilidade intensa, espaço social privilegiado para o exagero e as experimentações.

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