Opinião
AUTOESTIMA NA AVENIDA
Nas calendas de fevereiro os romanos comemoravam as saturnais: eram festas instituídas por Janus em memória do deus Saturno.Durante as saturnais, as distinções sociais não eram levadas em conta, os escravos ocupavam os lugares dos seus patrões, que os serviam às mesas.Não funcionavam os tribunais, nem as escolas; os julgamentos eram suspensos e os condenados não podiam ser executados. Interrompiam-se toda e qualquer hostilidade e os escravos percorriam as ruas cantando e se divertindo. Dois mil anos (1973) depois, Jung, preconizou que logo após sairmos da infância, somos envolvidos pelo ?pensamento dirigido?, ficamos escravos às manipulações e regras sociais. Mas alertou que persiste em todos nós o ?pensamento não-dirigido?,onde as regras da Lógica e da Física não se aplicam,onde as fantasias e as ilusões pululam. Durkheim (1996),pai da Sociologia moderna,ao analisar os ritos, nos diz que a partilha de um sentimento comum é a única coisa importante no ritual.Tais rituais fazem com que os homens se esqueçam do mundo real para se transportar para outro mundo,o da fantasia.Para ele, toda festa,mesmo que seja laica,tem características da cerimônia religiosa,pois traz efervescência e delírio,comuns no estado religioso. É isso que ocorre no carnaval.É isso que ocorreu sábado passado na orla, no desfile do Pinto da Madrugada: mais de 160 mil pessoas brincaram por mais de 6 horas sob escaldante sol. Misturados estavam populares, imortais,colegas médicos, profissionais liberais; autoridades muitas, como dois senadores da República e o governador do Estado. Segundo o presidente da Cepal, Dr. Moisés Aguiar, não foi apenas um gigantesco e harmonioso bloco que desfilou: foi a autoestima do alagoano que, ritualisticamente agregada, exibiu-se exuberantemente. Quando a TV Gazeta transmitiu ao vivo o desfile para todo o País e alhures, todos os alagoanos tiveram sua imagem bem representada, com alegria, felicidade, paz e harmonia.Marcial Lima, com sua energia, fez com que somente às 15 horas, dividíssemos com a multidão e o governador o grand finale,ao som do Hino de Alagoas em ritmo de frevo. A loucura do carnaval é parte da necessidade humana de se libertar dos padrões vividos no cotidiano.Segundo Platão: ?Sócrates afirmava que conhecemos dois tipos de loucura:uma que deriva dos males humanos, e, outra, quando o Céu nos liberta das convenções estabelecidas?. Bom carnaval para todos.