Opinião
E AGORA, TALVANE?
Valeu a pena? Durante 13 anos você gozou o prazer da impunidade, divertiu-se, teve o aconchego da família, dos poucos amigos que acreditavam em sua inocência, Natal, ano novo, carnaval, Aniversário, o prazer de exercer sua profissão e outras coisas que a liberdade nos permite. Mesmo assim, Talvane, com certeza não vivias em paz. Houve momentos, e noites mal dormidas, em que certamente avaliou o tamanho da barbaridade desnecessária, desumana e monstruosa; foram momentos de lucidez que os monstros também possuem. Foram 13 anos ao sabor da morosidade da Justiça, que apesar de lenta, tarda mais não falha. Pois é, chegou! Agora você amargará outro ritmo de vida, uma reclusão em regime fechado numa cela onde, por mais ampla que for, mais regalias que tenhas, não deixará de ser um quadrado bem menor que a área de seu consultório e menos luxuosa que seu quarto de casal; sem contar que lá fora sua família, sofrerá discriminação, provocação, preconceito, maior afastamento, que já vem acontecendo, dos amigos, correligionários, colegas de profissão, clientes, admiradores e eleitores. É seu preço! Sei que não passarás os 30 anos que é a pena máxima no Brasil, talvez nem 10, mas por mais anos de vida que tenha e por menos tempo que passe na cadeia, quando um dia lhe derem o indulto condicional, você não viverá o prazer de uma liberdade plena como a que viveu até antes de arquitetar e mandar executar aquela terrível chacina. Tive o imenso prazer de conhecer e conviver politicamente com a então Vereadora, depois Deputada Ceci Cunha, quando em meu tempo de político no município de Dois Riachos, nos idos de 86 a 96. Por sua idoneidade e lealdade afeiçoei-me a ela e obtive alguns apoios que em muito me ajudaram a fazer algo por aquele povo sertanejo e sofredor. Por tudo isso Ceci Cunha fez e faz muita falta; não só a política, mas principalmente a médica e pessoa humana que era. Será bom aproveitar a longa estadia nesse ?hotel?, refletir bastante, desenvolver uma atividade de atendimento a pessoas carentes, utilizando seus conhecimentos médicos. Com certeza vai minimizar sua barbárie, preencher seus longos dias, além de contar como redução de pena e torná-lo útil à sociedade e quem sabe um ser humano melhor. Que a Justiça dos homens continue, para os que ainda deve!