Opinião
Acidentes diminuem, mas situa��o � cr�tica
O País festeja a redução do número de acidentes e mortes nas estradas durante os dias de carnaval ? na comparação com o mesmo período do ano passado. De fato, algo a ser comemorado em se tratando do histórico de tragédias no trânsito. Mas ainda estamos muito longe de um quadro aceitável. As estatísticas de morte envolvendo veículos pelas rodovias brasileiras continuam sendo uma calamidade. Apesar das campanhas, os números apontam para uma redução lenta, sem indícios de que haja um avanço sistemático e permanente. Para que isso ocorra, é preciso um esforço redobrado, que vai do cidadão até as esferas de poder, passando, obrigatoriamente, pelo Poder Legislativo. Agora mesmo, tramitam vários projetos no Congresso Nacional que tratam do tema. São ideias que, em tese, serviriam para inibir o condutor infrator e dariam mais segurança aos que estão ao volante ? assim como aos pedestres. Um desses projetos prevê tolerância zero nos níveis de álcool para o motorista. Ou seja, na hora da abordagem pela operação policial e do bafômetro, o condutor não pode ter ingerido quantidade alguma de bebida alcoólica; hoje, há uma escala nessa gradação considerada permitida. A distância é muito curta entre a sobriedade e o estado de desatenção daquele que dirige um veículo tendo que manter os reflexos sempre em perfeito estado, para agir quando necessário. Tem-se notícia, Brasil afora, dos casos de flagrantes em condutores completamente embriagados, que se recusam ao teste do bafômetro e escapam da punição severa por provocar acidentes. O emaranhado da legislação acaba sendo mais leniente do que eficaz para coibir os ?assassinos sobre quatro rodas?. Não seria o caso de inventar novas leis apenas para atender ao anseio imediato por medidas de rápido efeito; na verdade, isso acaba sendo um engodo. Deve-se aprimorar o que já está escrito em leis e códigos, apertar a fiscalização e buscar campanhas que falem mais de perto ao cidadão brasileiro.