Opinião
ALAGOANOS NO CARNAVAL PERNAMBUCANO
Graças ao trabalho primoroso do colega Osvaldo Liberal, pude, esse ano, voltar ao carnaval pernambucano, uma trajetória de mais de 30 anos interrompida, no ano passado, pela enfermidade de meu pai. Assim, já na sexta-feira, estávamos no CRI (Clube dos Rapazes Inocentes), um bloco singular, composto por representantes da terceira idade, que desfila em Boa Viagem ao som da Frevioca. Fantasiados e liderados por Lea, uma oxagenária vamp, os velhinhos esbanjam alegria de viver. No sábado, o Galo da Madrugada: homenagem a Luiz Gonzaga; 25 trios elétricos tocando frevo, inclusive a banda Calypso, que entrou na Dantas Barreto entoando Antônio Maria. Foi emocionante ver, na frente do bloco, o boneco do Homem da Meia-noite, que completava 80 anos e há muitos eu não via nas ladeiras de Olinda. Domingo, Olinda. Circulamos pelas ladeiras, visitamos a sede do Homem da Meia-noite no Largo do Bonsucesso, que, inexplicavelmente, estava fechada, o que não nos permitiu render as homenagens que gostamos de lhe fazer. Acompanhamos o bloco de frevo Sururu de Olinda, que congrega muitos alagoanos liderados pelo Dinho Lopes. Na segunda, Mercado da Boa Vista. Espaço light, repleto de conterrâneos, com algumas sombras e cadeiras, prestigiado por blocos, maracatus e troças. Os destaques são os novos compositores de carnaval que apresentam suas músicas inéditas para gáudio dos foliões. De lá, para não quebrar a tradição, acompanhamos o Bloco da Saudade até o Recife Antigo. Na terça-feira, o chamamento matinal é para subir as ladeiras de Olinda, até o Largo da Guadalupe, para o Encontro dos Bonecos Gigantes, que descem as ladeiras ao som das orquestras. Mas o dia amanheceu pesadamente chuvoso, e não sei se só por isso, ou se também pelas pernas que nos faltaram, perdemos os 25 anos desse evento gigantesco. À noite, ainda sob chuva, nos despedimos do Recife Antigo e do carnaval pernambucano, sob a égide do Maracatu Porto Rico. Ficam a saudade e a vontade de registrar o nome de tantos e tantos conterrâneos presentes, mas o espaço não deixa. Fica o lamento: os Caboclinhos e os maracatus ? originários de Alagoas ? aqui feneceram, e hoje ajudam Pernambuco a faturar 730 milhões de reais no carnaval. Cultura, além de consolidar a identidade e reforçar a autoestima da comunidade, traz divisas e justifica investimentos.