Opinião
Transporte de pessoas sobre duas rodas
São rotineiros os protestos de motoristas de vans que pretendem forçar a regulamentação do transporte de passageiros em Maceió. Também condutores de carros pequenos vivem fechando vias e rodovias, com a queima de pneus e outros instrumentos que garantam muita visibilidade para a causa. Ontem, mais um desses protestos ocorreu em Maceió ? com uma novidade importante: não eram condutores de vans ou veículos de duas e quatro portas. Eram motoqueiros. Os manifestantes fecharam a pista na área da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito da capital, no bairro do Tabuleiro. Eram algumas dezenas de profissionais que já estão mais organizados do que se sabia até agora. Eles querem o mesmo que aqueles que protestam há mais tempo; dizem que estão trabalhando no transporte de pessoas em suas motos e que isso precisa ser regularizado. As lideranças dos mototaxistas dizem que vão à Câmara Municipal pedir apoio aos vereadores. Esperam obter do Legislativo um projeto de lei que venha a tirá-los da clandestinidade. Se conseguirem o objetivo, teremos, então, oficializada na capital a profissão do taxista sobre duas rodas. Propiciar emprego a quem precisa, claro, deve ser prioridade de prefeituras e governos. É legítimo que um segmento lute para que sua atuação esteja devidamente dentro da lei, incluindo aí os aspectos que protegem o trabalhador. Mas deve-se ter cuidado para que não seja criado um problema ainda maior. O fator segurança ? muito importante ? é apenas um dos aspectos que precisam ser vistos com total atenção, antes de medidas apressadas, adotadas sob pressão. Como se trata de uma demanda na capital, então que a Câmara, a prefeitura e órgãos que gerenciam o trânsito debatam o caso com agilidade e transparência. O pior caminho é o açodamento com motivação política. Autorizar um novo meio de transporte na cidade é uma decisão muito séria, que terá consequências.