Opinião
O parlamento e a viol�ncia em Alagoas
A Câmara Municipal de Maceió anunciou a criação de uma Comissão Especial de Investigação, cujo objeto é a violência na capital alagoana. Classificada como um dos lugares mais violentos do mundo, a cidade sofre com um grande número de homicídios. Mesmo que a segurança pública seja, em tese, assunto para a esfera estadual, os vereadores entendem não haver qualquer impedimento à iniciativa. Na sessão de ontem da Assembleia Legislativa, a primeira depois do feriadão do carnaval, deputados discutiram a formação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, que vai apurar os supostos casos de ?pistolagem?. Neste momento, portanto, as duas maiores casas legislativas de Alagoas ? os parlamentos do Estado e da capital ? dedicam-se à mesma causa. Sem entrar no mérito das propostas, elas sinalizam que o tema da violência continua a dominar a pauta política em Alagoas ? o que não deixa de ser um desalento: afinal, a chamada explosão da criminalidade já é antiga, mas o fenômeno continua em alta. Não se deve contar com soluções milagrosas a partir dessas comissões. A tradição parlamentar nesse campo, infelizmente, não garante boa perspectiva às anunciadas investigações. Como se espalha pelas esquinas, CPI em Alagoas sempre acaba em pizza ? e basta pesquisar para constatar que a impressão das ruas procede. Mas o fato de deputados e vereadores alçarem o problema da violência e dos homicídios ao primeiro plano dos debates pode trazer alguns resultados. Para começar, as autoridades responsáveis pela segurança pública terão oportunidade de detalhar as ações e prestar informações sobre obstáculos ao trabalho de combate ao crime. De outro lado, o que não pode ocorrer é o interesse político ? a politicagem ? dominar os debates na CEI e na eventual CPI. Ainda mais que estamos em ano eleitoral, quando o apetite por holofotes e palanque ganha tremenda voracidade. Investigar, sempre, mas com responsabilidade e seriedade.