Opinião
Manifesta��es voltam a tumultuar a capital
Manifestantes vão às ruas contra o novo valor da passagem de ônibus em Maceió. No mesmo dia, moradores de uma localidade bloqueiam o trânsito para cobrar uma escola de melhor qualidade. Em outra parte da cidade, famílias também impedem o fluxo de veículos num protesto por moradia. As cenas foram vistas desde segunda-feira até ontem, em diferentes pontos da capital alagoana. Os variados segmentos prometem que vão repetir a estratégia, em nome das causas específicas de cada um. Com os atos públicos generalizados, sofrem milhares de profissionais, estudantes, jovens e adultos, de qualquer segmento e oriundos de qualquer bairro da cidade. Os resultados dessas iniciativas radicais estão longe de atenderem às demandas. O que provocam mesmo são transtornos e, em alguns casos, sérios problemas para quem fica ?preso? nessas barreiras de ?revoltosos?. Ou seja, a coletividade sai perdendo, ao contrário do que exigem os grupos mobilizados. Importantes vias de Maceió, corredores de trânsito de grande movimento, ficam sob domínio de categorias que lutam por seus interesses particulares. A estratégia de causar sofrimento à população é uma alternativa equivocada dos que pretendem reivindicar direitos. Não bastasse o já caótico tráfego de veículos, a retomada dos protestos de rua faz a situação se agravar bastante. A prefeitura toca obras que têm como objetivo desafogar o trânsito em pontos com mais sufoco para condutores. Mas a velocidade das obras fica sempre abaixo daquela que move os problemas ? e também os eventuais mentores dos atos que fecham ruas e rodovias. Batalhar pelo que considera um direito é uma iniciativa legítima da sociedade, conquista definitiva no regime democrático. Mas cabe lembrar um fator essencial ao exercício de tal direito: o respeito a todos que precisam ir e vir. O que se vê nas manifestações, no entanto, é justamente o inverso, com barreiras de paus, pneus e fogo: ações fora da lei que acabam por incentivar a violência.