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Opinião

NEVINA QUINTELA

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Aos nove anos, vi d. Nevina pela primeira vez. Brincando de me esconder, resolvi entrar na sala do espelho grande da tia Lilita Lages. Tratando-se de um aniversário para crianças, as brincadeiras ficariam restritas aos jardins e pátios. Sorrateiramente, entrei no recinto proibido, cheio de cristais e objetos quebráveis. Acomodei-me, satisfeita, atrás de uma poltrona onde jamais me procurariam. De repente, vozes e risos joviais se aproximaram. Olhei para o grupo e vi, extasiada, a mulher mais bonita do mundo. Era Nevina Quintela! Ouvi o nome pelas suas amigas. O sobrenome não importava na hora. Veio depois. Ela encheu o ambiente. Transcendia charme e beleza. Seu corpo moreno claro, bem feito, com pernas torneadas, realçaria qualquer vestido. Movia-se, graciosa. Seu riso brejeiro e espontâneo contagiava as outras. Olhos claros, não sei se verdes ou cinzas, me impressionaram. Dali não mais saí, embevecida. Queria ser assim um dia. Se me achavam bonitinha, porque não bonitona como aquela senhora vestida num modelo marfim? Deixando esses planos para o futuro, olhei para as demais. Uma delas também chamava a atenção. Tratava-se de Helena Arroxelas, esposa de Jarsen Costa. Muito bonita, de vermelho, parecia artista de cinema. Mas centrei minha total atenção em Nevina. Em casa, falei para mamãe sobre a bela mulher. Só obtive comentários vagos. Elas, em geral, não gostam de elogios a outras... Mesmo garota, acompanhei, de longe, a vida de Nevina. Bem casada com o dr. Paulo Quintela, professor de Direito e paraninfo da turma de meu marido. De conduta elogiável, bom advogado. Cônjuge fiel e convicto, sempre andou na linha, levando e elevando sua mulher a lugares de destaque. Ela correspondeu à expectativa do marido, sendo seu mais belo cartão de visita. Foi companheira leal, amiga e mãe extremosa. Ao nascer meu caçula, em 1974, seu belíssimo filho e estudante de Direito acidentou-se gravemente. O apartamento do hospital era vizinho ao meu, onde também sofri uma séria infecção. Chorei por mim e por ela. Sem sermos, ao menos, amigas. Anos depois, no lançamento de um livro de Ilza Porto, falei para dona Nevina ser ela, desde sempre, minha musa. Felizmente, disse isto para ela muitas vezes depois. Envelhecia bonita. Faleceu, segundo soube, linda. Acho que doutor Paulo veio resgatá-la para uma vida onde as luzes se projetem, novamente, sobre ela.

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