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Fam�lias n�o merecem favela como moradia

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Arrasta-se, desde 2009, a polêmica sobre a transferência de cerca de 500 famílias que vivem na chamada Favela de Jaraguá, em Maceió. Há cerca de três anos, a prefeitura começou a construção de um conjunto residencial para abrigar todos os moradores daquele local. São apartamentos, erguidos na Praia do Sobral, que devolvem dignidade àqueles que hoje vivem em situação degradante. Esta semana, um grupo de moradores fez uma manifestação para cobrar a entrega dos imóveis. Querem se mudar dos casebres para transformar suas vidas. Mas, por incrível que pareça, existe um grupo menor que é contra a transferência para os novos apartamentos. Alegam que o novo endereço fica longe do local de trabalho ? eles vivem da pesca. A alegação não faz sentido, pois a distância em questão é insignificante ? certamente, bem menor do que a enfrentada pela maioria dos trabalhadores. Aliás, alguns trabalham até em cidades vizinhas à capital, o que os obriga a uma verdadeira viagem para ir e voltar do serviço diário. Causa espanto que o grupo menor, que não deseja sair da favela (!), tenha forte apoio político ? e até de autoridades. Ao que parece, interesses estranhos aos habitantes da favela estão por trás dessa postura, de resto inexplicável. A população que está em Jaraguá enfrenta, há anos, uma realidade marcada por violência e doenças. Enquanto estiverem mergulhados num ambiente sem qualquer estrutura, o quadro vai piorando. No meio, fica a prefeitura, cobrada duplamente ? pelos que não aguentam mais a situação de calamidade e por quem, sabe-se lá por que, insiste em dificultar a mudança daquelas famílias. Um pouco de sensatez, livre das paixões politiqueiras, seria o caminho adequado para que se chegue a um bom termo nesse caso. Não se pode esquecer de que, quanto mais demora a chegada de uma solução, a vida das pessoas corre perigo. À prefeitura, cabe levar adiante seu projeto e terminar de vez a obra nos apartamentos. O velho impasse apenas prejudica a vida de tantos adultos e crianças.

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