Opinião
CEM ANOS SEM BR�ULIO
Domingo, 10 de março de 1912. O Centro de Maceió é tomado por extraordinária massa popular, protestando contra o retorno de Euclides Malta que, pressionado, houvera se ausentado do Estado há mais de um mês. Desde o porto de Jaraguá até o Palácio dos Martírios, embora escoltada por forte esquema policial, tendo à frente o General Olympio da Fonseca, a Comitiva teve que suportar insultos da população, enquanto os sinos das igrejas dobravam afinados. A passeata seguia pela Rua do Livramento. À frente o dr. Bráulio Cavalcante, jovem liderança oposicionista, recém-formado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade do Recife, e a quatro dias de completar vinte e cinco anos. Os manifestantes alcançam a Praça Deodoro, recebendo cada vez mais adeptos. Tomam à direita a Rua do Macena (atual Cincinato Pinto) e, em seguida, adentram a Rua Augusta (depois chamada Ladislau Neto e hoje popularmente conhecida por ?Rua das árvores?). Dobram à esquerda e percorrem o último trecho da Rua do Comércio. Em meio àquela agitação, talvez tenha ele lembrado os tempos calmos da sua terra natal. Das apresentações do Grupo de Teatro Paz e Progresso no Politheama Goulart de Andrade, ao lado de Luiz Paulo e Antônio Maia; das crônicas e poemas publicados nos jornais locais. Chegam finalmente à Praça dos Martírios. Nada mais lhe vem à mente senão os temas do discurso que teria de fazer na condição de orador da Campanha. Segundo reportagem do Jornal de Alagoas, edição de 15/03/1912, ao aproximar-se da estátua de Floriano Peixoto, três soldados do 8º Pelotão o intimaram a interromper a manifestação. Bráulio ponderou que estava no exercício de um direito assegurado pela Constituição da República; que não se cogitava de desrespeitar as autoridades. A resposta foi a ordem de prisão contra ele. Maceió continuou sob forte tensão com o povo nas ruas continuava promovendo manifestações. Entre elas, o funeral de Bráulio, num cortejo de cerca de oito mil pessoas, número significativo, considerando que a população de Maceió, em 1920, seria de 74.166, segundo o IBGE. Neste dia 3 de março, em que seus conterrâneos de Pão de Açúcar comemoram 158 anos de Emancipação Política, cumprem o doloroso dever de registrar, no próximo sábado, o Centenário desse trágico acontecimento que vitimou um de seus filhos mais reverenciados.