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Opinião

Um parlamento que desconhece limites

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Os discursos agressivos mostram que, mesmo entre alguns integrantes da Assembleia Legislativa, o sentimento é de que por lá a coisa passou do limite. Durante a esdrúxula sessão para reeleger a Mesa Diretora ? para um mandato que só vai começar no próximo ano ?, deputados contrários ao comando da Casa falaram em golpe, indecência, malandragem, imoralidade, vergonha... Não faltaram adjetivos e classificações lamentáveis para um parlamento que insiste em sabotar a si próprio, atropelando toda e qualquer barreira de legalidade. O que se viu mais uma vez foi a falta de transparência e decisões cujos objetivos só têm explicações nos subterrâneos da política menor. Na referida sessão que reelegeu os cabeças da Assembleia, constatou-se algo preocupante: um certo clima beligerante predominou durante todo o processo naquela tarde da última quinta-feira. Parlamentares foram à tribuna armados de retórica virulenta num quadro já bastante conturbado. Em vários momentos, a presidência da sessão tratou com autoritarismo as vozes discordantes da pantomima armada no ambiente. O pior é que tudo isso se dá em nome de acordos secretos cujos ingredientes misturam cargos e benesses com a verba de manutenção da Assembleia. Diante de um quadro degradante como esse, soa como piada a iniciativa de instalar uma CPI da Pistolagem, para investigar crimes de mando em Alagoas. Quem vai acreditar nas intenções dessa novidade? Infelizmente, com integrantes acusados de homicídios, não se pode levar a sério a anunciada investigação. Mas isso é apenas o último capítulo das peripécias da casa legislativa. Está longe de ser o maior problema. De todo modo, é impossível ver credibilidade no parlamento para apurar seja lá o que for. Nem tudo está perdido. A própria reação de alguns poucos deputados, que se rebelaram contra o descalabro, não deixa de ser uma boa sinalização. Ao menos, deixam o silêncio cúmplice e denunciam a situação. No mais, é com o cidadão-eleitor.

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