Opinião
ORAI SEM CESSAR
Uma das principais práticas do tempo quaresmal é a oração. Ela não somente é importante, mas é o respiro mesmo da vida cristã, pois exprime a atitude essencial do crente diante de Deus. Por isso mesmo, se pode afirmar sem medo que aquele que não reza é ateu, ainda que externamente se diga religioso. O Senhor Jesus rezou e nos mandou ?rezar sempre, sem jamais esmorecer? (Lc 18,1) porque rezando nos colocamos diante de Deus, aprendemos a caminhar na sua presença, abertos para Ele. No ato de rezar, o sujeito é primeiramente Deus, e não nós mesmos. É Ele quem fala, é ele quem toma a iniciativa: ?Ouve, meu povo, eu te conjuro; oxalá me ouvisses, Israel!? (Sl 80, 9) Rezar é, antes de tudo, uma atitude de abertura e escuta diante do Senhor que vai falar: ?O primeiro mandamento é: Ouve, ó Israel...? (Mc 12,29). A oração só começa e somente é possível quando nos colocamos nesta atitude de total disponibilidade ante o Senhor, na obediência e no reconhecimento que ele é o Senhor: ?Quero ouvir o que o Senhor irá falar...? (Sl 84,9). Reza de verdade quem de verdade não fala primeiro ao Senhor, mas primeiro se dispõe a escutá-lo: ?Fala, Senhor, que teu servo escuta? (1Sm 3,10). A primeira súplica de quem deseja rezar de verdade é esta: Senhor, ?dá a teu servo um coração que escuta? (1Rs 3,9). Como escutar o Senhor? Primeiramente, na Sagrada Escritura, lida-escutada num espírito de oração. A primeira atitude de quem reza não é falar, mas escutar! Esta escuta amorosa e fiel do coração de Deus, fz-nos conhecer e admirar tudo quanto Ele fez. O fiel vai conhecendo o coração de Deus, vai se encantando com o Senhor e aprendendo a nele confiar. A escuta vai nos fazendo amigos de Deus, que começam a sentir o coração seu coração divino e a compreender os modos do Senhor. Esta escuta perseverante e fiel ensinar-nos-á a escutar o apelo de Deus, na palavra de Igreja, nos acontecimentos da vida, nos apelos dos irmãos e em tudo que nos aconteça. Tudo irá se tornando uma palavra do Senhor. É a partir da Palavra em sentido estrito, que é a Escritura Sagrada, aprenderemos a discernir as palavras de Deus nas outras realidades da vida. Sem partirmos da Escritura, escutaremos nas outras ocasiões somente a nós mesmos e nossos caprichos. Esta atitude de escuta suscita no nosso coração uma resposta, cheia de confiança, admiração e amor, que brota do mais profundo de nós. Então, estabelecer-se-á o diálogo que é fecundo, que não é tagarelice, que é ?tratar de amor com quem sabemos que nos ama?.