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Opinião

INST�VEL E PERIGOSO

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Durante a década de noventa, a ofensiva das ideias neoliberais no mundo foi tão avassaladora que se tinha a impressão de um massacre político, teórico e ideológico contra todos os que compunham o campo de resistência a uma hegemonia unipolar. Na época, quem era de esquerda, defensor da soberania do seu país, ou mesmo inclinado à função do Estado como responsável pelas estratégias das políticas públicas, achava-se acuado diante da carga de cavalaria contra as ideias progressistas e patrióticas. A artilharia pesada das orientações do novo liberalismo econômico global ficava por conta da mídia hegemônica mundial, atuando como uma orquestra afinada com notícias, debates pretensamente científicos, promessas de uma nova era mundial sem guerras, de intercâmbios científicos, tecnológicos, comerciais e muita, mas muita paz e democracia. Ao mesmo tempo surgiam, do nada, para as livrarias, universidades e imensos espaços de propaganda, vários teóricos, entre eles o até então obscuro professor de uma faculdade norte-americana, financiado pelos centros de inteligência dos EUA, Francis Fukuyama, que se tornou, da noite para o dia, uma celebridade, com suas teses sobre filosofia, mas, sobretudo, na economia. Entre suas constatações ?científicas?, as mais celebradas e difundidas eram o fim da História, a vitória total das forças defensoras de um modelo baseado única e exclusivamente no livre mercado absoluto, a morte dos Estados nacionais e, em consequência, a extinção das fronteiras nacionais. Com o tempo, as doutrinas neoliberais, as teses de Fukuyama, foram rejeitadas pela opinião pública em decorrência de desastres econômicos em todos os países, incontáveis privatizações criminosas de empresas estatais, massacres dos direitos trabalhistas e dezenas de guerras imperialistas em quase todos os continentes. Hoje, algumas nações emergentes vão construindo outra alternativa, outro cenário geopolítico, econômico, multilateral, especialmente os Brics. Mas a nova ordem mundial ainda detém a iniciativa liderada por EUA e Inglaterra, que conduzem uma nova guerra de expansão colonialista, associados ao capital financeiro e ao complexo midiático hegemônico internacional. E constituem uma ditadura ideológica, cultural e temática em nível global em um planeta instável, perigoso, mergulhado em profunda crise.

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