Opinião
Base aliada, fisiologia e democracia em Bras�lia
A notícia mais importante no meio político, esta semana, foi a derrota da presidente Dilma no Congresso Nacional. A chamada base aliada se rebelou diante de uma indicação para a Agência Nacional de Transportes Terrestres. O indicado, que deveria ser reconduzido ao comando da agência reguladora, foi barrado em votação secreta no Senado. Em situações normais, a votação seria uma mera formalidade. O escolhido pela presidente passaria com folga pelo crivo dos congressistas. É assim nas indicações de ministros para os tribunais superiores ou na sabatina de preferidos do governo para embaixadas. E por que, desta vez, o parlamento impôs a derrota política ao governo, causando estrago especialmente na relação com a presidente Dilma? Porque os muitos partidos ? e não apenas um ou dois ? estão agressivos. O motivo da revolta é a falta de atenção para com suas demandas. Em outras palavras, a pressão por cargos e pela liberação de verbas para redutos eleitorais é a explicação do mal-estar. A coalização partidária é do jogo na democracia. Nada de errado em o chefe do executivo formar uma base sólida no parlamento, a partir das forças que o apoiaram nas eleições. O problema é quando isso vira o único meio de comunicação entre governo e legislativo. As lideranças partidárias devem atuar para conter os arroubos provincianos, evitando o caminho da chantagem como forma de obter o que se deseja. É preciso que a tratativa pela ocupação de postos de destaque se dê de maneira transparente. É possível combinar a nomeação de um aliado com a obrigação dos critérios de idoneidade e competência. Nos últimos dias, porém, viu-se que o retrocesso pode bater à porta a qualquer tempo, com iniciativas cujos parâmetros são pessoais, e não de interesse público. A presidente Dilma ficou irritada com a derrota, mas tratou de autorizar uma negociação que acalme os rebelados. Não pode, contudo, ceder ao mais evidente fisiologismo, que vive do golpe baixo.