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A VERDADE NA MIRA

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O recente episódio de insatisfação de militares da reserva divulgado num site mantido pela esposa de Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel reformado do Exército, ex-chefe do DOI-CODI (aparelho da repressão do Exército) em São Paulo, acusado de torturar presos políticos e um dos signatários do documento, chama à atenção pela desfaçatez da afronta e a insolência da insubordinação, numa espécie de vandalismo que busca jogar as Forças Armadas contra a sociedade. Desde quando passou a ser permitido a militares da reserva repreender rudemente a comandante suprema das Forças Armadas, Dilma Rousseff, ou negar autoridade ao ministro da Defesa? O documento também ataca a Comissão da Verdade, que apontará responsáveis por mortes, torturas e desaparecimentos durante os governos militares. Difícil é acreditar que os comandos militares, em 2012, estejam pactuando das ideias de parte de seus colegas da reserva. Exército, Marinha e Aeronáutica são instituições seculares, sólidas, geradoras e detentoras de tecnologias civis e militares de ponta, portanto, globalizadas e cumpridoras dos seus papéis constitucionais. Só um cego não consegue ler nas entrelinhas da proposta de criação da Comissão Nacional da Memória e da Verdade que existe uma excelente oportunidade das Forças Armadas brasileiras reconciliarem-se, definitivamente, com a nação. Sim, pois, ainda existe um abismo, em forma de ferida, monumental, separando-as das famílias, dos pais, mães, filhos de torturados, estupradas, sequestrados e desaparecidos. Tomemos o exemplo do general Pedro Aguerre, Comandante do Exército Uruguaio, que declarou recentemente: ?O Exército que comando não encobrirá delinquentes e homicidas em suas fileiras. Ordeno que seja posta à disposição da Justiça toda informação possível para esclarecer os crimes de terrorismo de Estado?. Assim, só temem a revelação da verdade os que estiveram envolvidos nos episódios de tortura, sequestro e desaparecimentos forçados de pessoas; os que desonraram suas fardas. Agora, à quase 50 anos do golpe, precisamos lavar nossas feridas, para que cicatrizem. Não por revanchismo, mas pelo dever ético de todo país que respeita a verdade, a memória e sua história. Como fizeram com altivez a Argentina, o Uruguai, o Chile ao lavar as suas, tão feias quanto as nossas.

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