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Crimes da ditadura continuam impunes

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Um embate político se arrasta há muito tempo sobre a criação da Comissão da Verdade e a investigação dos crimes da ditadura militar, que vigorou no Brasil por 20 anos. O Supremo Tribunal Federal já decidiu que a Lei da Anistia, aprovada em fins da década de 70 do século passado, pôs um ponto final na questão. Mas não é bem assim. Especialistas respeitados defendem que aquela lei não tem poderes para perdoar os crimes contra a humanidade ? o conjunto de atrocidades cometido pelo regime militar, incluindo tortura e assassinatos. Desde o governo Lula ? e a polêmica continua na gestão da presidente Dilma ?, setores à esquerda e à direita do arco político se engalfinham em defesa de um ou de outro entendimento. Há quem defenda que vale mesmo a sentença do STF. Deve-se esquecer a possibilidade de uma punição para os que torturaram e mataram. Segundo essa posição, no caso de uma ampla investigação sobre crimes da ditadura, os atentados dos que lutavam contra o regime também deveriam ser levados aos tribunais. Foi sob essa forte resistência de identificar os algozes da ditadura que nasceu a Comissão da Verdade. Depois de muitas negociações, surgiu sem a prerrogativa de reabrir casos para julgá-los ? o que para muitos significa uma inutilidade. Organismos internacionais cobram do Brasil a punição aos criminosos que sabotaram a democracia brasileira com o golpe militar de 1964. Diferentemente de seus vizinhos na América do Sul, o Brasil não incomodou generais e outros violadores dos direitos humanos de qualquer patente. Desde a década de 90, ex-presidentes e ex-ministros foram julgados e presos na Argentina, no Uruguai, no Chile... Enquanto isso, para famílias de vítimas da ditadura verde e amarela ? muitas até hoje desaparecidas ? resta a angústia de uma história inacabada, o eterno retorno de uma memória marcada somente pela perda de pais, filhos, irmãos e amigos. Ainda é tempo de corrigir a omissão.

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