Opinião
A LOUCURA DA CRUZ
Loucuras parecem fazer parte da vida: compras, provas de amor, negócios, comportamentos e tantas outras. Dependendo da situação, o que para alguns é absolutamente normal, para outros é loucura. Semana passada uma notícia que ganhou destaque nacional, foi a decisão de retirar todos os crucifixos dos Tribunais de Justiça gaúchos. Para os cristãos, uma afronta diante deste símbolo de fé ligado à história brasileira e à nossa cultura. Para os defensores, um símbolo sem sentido que poderia comprometer ou influenciar um julgamento. Engraçado tudo isso acontecer agora na Quaresma, quando os olhos e a ênfase da Igreja Cristã se voltam à cruz, ao crucifixo e enfatizam aquele que não veio para julgar, mas para salvar e, numa cruz, resgatar a humanidade da condenação eterna. O Apóstolo Paulo fala de uma fé baseada na ?loucura de Deus? (1ª Coríntios 1.25). Loucura, porque adiante das expectativas do povo judeu que aguardava a vinda do Messias, a cruz não fazia sentido. Eles esperavam um messias glorioso e gladiador, que iria tomar para si o poder e construir um novo Israel político. Só que o Messias tão esperado veio fora dos padrões esperados e acabou sendo crucificado como um criminoso. E pela lei: ?o que for pendurado no madeiro é maldito para Deus? (Deuteronômio 21.23). Este Messias e sua cruz deveriam ser ignorados, esquecidos, descartados como a decisão dos crucifixos no Rio Grande do Sul. Cada vez mais as pessoas estão em busca de um Deus - um Salvador, uma fé, uma igreja - só de conveniência, que atenda os próprios moldes, assim como os judeus esperavam (e se decepcionaram). Mas falar da cruz é algo fundamental na proclamação do Evangelho, pois é nela que ?Cristo nos resgatou da maldição da Lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar? (Gálatas 3.13). Escândalo para alguns, loucura para outros, maldição para muitos. ?Mas nós anunciamos o Cristo crucificado? (1ª Coríntios 1.23). É aqui que está todo o poder e a força de Deus. A crucificação do filho de Deus em nosso lugar, pelos nossos pecados, é o maior sinal e a grande prova do amor de Deus por todos. Uma prova de amor tão grande, que para os que estão de fora, é loucura! O ato de eliminar a cruz pelas pessoas, não elimina o fato do que ela representa diante de Deus. Porque, se agora a cruz está vazia, lembramos que Jesus vive, e, se Ele ressuscitou, significa que a morte ou a cruz eram necessários no plano de Deus. Por este motivo, a Cruz de Cristo faz parte da proclamação do Evangelho, da pregação cristã, pois ?é poder de Deus para nós que estamos sendo salvos? (1ª Coríntios 1.18). Eis a sábia loucura de Deus na cruz!