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Nº 5715
Opinião

Oposi��es � guerra

JOSÉ MEDEIROS * “Pelas barbas do Profeta!” é uma das exclamações muçulmanas mais comuns, ouvidas nos momentos de espanto de dificuldades. Suponho que seja pronunciada, diariamente, por homens e mulheres iraqueanas, ao ouvirem na tevê ameaças de guerra

Por | Edição do dia 07/10/2002 - Matéria atualizada em 07/10/2002 às 00h00

JOSÉ MEDEIROS * “Pelas barbas do Profeta!” é uma das exclamações muçulmanas mais comuns, ouvidas nos momentos de espanto de dificuldades. Suponho que seja pronunciada, diariamente, por homens e mulheres iraqueanas, ao ouvirem na tevê ameaças de guerra dos EUA contra seu país. Indo além, pode-se imaginar o medo de que estão acometidos, receio de que poderosas bombas possam cair sobre suas cabeças durante a madrugada. Em Bagdá, capital do Iraque, vive-se momento de tensão, de terror psicológico, neurotização coletiva; nem a voz tonitroante do ditador Saddan Hussein consegue acalmar a população. Vocês se lembram de que o Iraque e o Irã de hoje foram uma fração geográfica da antiga Pérsia, região rica de tradições e histórias mitológicas. Na minha infância, liam-se os contos “Mil e uma noites”, coletânea de lendas em que predominavam cenários de sultões e de odaliscas, de bazares multicoloridos e de haréns, de camelos e de beduínos. Na adolescência, o cinema encheu-nos a imaginação com os encantos da antiga Arábia: filmes de califas e de lindas mulheres, de tapetes mágicos e gênios da lâmpada, que construíram um mundo mágico de sonhos e fantasias. Histórias cheias do mais puro lirismo. Esses contos de fada do passado contrastam com a realidade atual: o Iraque é um barril de pólvora pronto para explodir. É assim que pensam os dirigentes da nação norte-americana. O presidente Bush se arvora em juiz e executor de medidas drásticas e punitivas. Por seu lado, Saddan Hussein é um ditador frio e sanguinário, cujo radicalismo impedioso fez cair um a um todos os possíveis inimigos políticos em seu país. O mundo inteiro pode pagar pesada conta por esses desvarios. Busca-se paz, justiça social, democracia e qualidade de vida. Na prática, convive-se com situações que agridem pessoas, grupos sociais e países. Já não bastam o Vietnã, Coréia, Kosovo e o massacre de palestinos e judeus. O Iraque cultiva o fundamentalismo islâmico, fanatismo religioso, culto da personalidade do ditador: ingredientes suficientes para tornar-se o estopim de conflito mundial de proporções difíceis de prever. Guerras, destruição, escombros, catástrofes, de-samparos. Legiões de fugitivos do teatro da guerra, refugiados famintos, corpos destroçados. Tudo isso é filme que já se viu; é crime que agride a consciência moral das pessoas. Não se podem aceitar esses traumas como predestinação, como se estivesse escrito, como tivesse de acontecer. Não se justifica a consciência ingênua de que não há muito a fazer diante dessas adversidades. Há, e muito. Consolida-se, gradualmente, no mundo inteiro, uma forte corrente de pensamento contra a guerra, em favor da paz. A repercussão das passeatas e dos protestos alcançou os gabinetes de ministros e presidentes. Todo dia aparece mais uma adesão antiguerra. São opiniões contra o terrorismo, mas, de igual forma, contra façanhas guerreiras de vingança ou retaliação. (*) É MÉDICO E EX-SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO E DE SAÚDE

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