Opinião
EMANCIPA��O POL�TICA DO PILAR 140 ANOS
Todo pilarense, por mais longe que esteja, fora da sua terra, deverá reservar, anualmente, alguns minutos do dia 16 de março para fazer uma retrospectiva sobre sua infância, adolescência e juventude vividas às margens da Lagoa Manguaba, outrora conhecida pelo nome de Manguaba do Sul. Esse acidente geográfico embelezado com seus coqueirais gigantescos e centenários estão espalhados por toda a sua margem, ora acossados pela fúria dos vendavais vindos do Sul sobre suas palhas e ora acariciados pelas brisas matutinas, transformando-se, desta maneira, num verdadeiro espetáculo, parecendo mais com uma apresentação de ballet coordenada pela própria natureza. Se olharmos para a fisionomia dos seus filhos, constataremos que nada mudou. Uns oriundos da mestiçagem do índio com o português e o espanhol; enquanto outros remanescentes do caboclo legítimo que enfrenta diuturnamente as intempéries do tempo durante a pescaria ao sol e chuva nas águas da lagoa em foco, considerada por todos como a mãe da pobreza pilarense, que também, no passado, alimentou filhos que se projetaram mais tarde no cenário nacional e até fora da nossa Pátria. Nos nossos dias, deixaste de ser um ponto de referência do saber e da cultura para aparecer na mídia como a cidade mais violenta do nosso País. Discordamos de tal imputação, para afirmar com toda ênfase e coragem: ?há, neste torrão brasileiro, lugares mais delituosos do que tu, ó minha formosíssima Princesa da Manguaba?. Ainda enaltecendo a tua formosura, lembramos que, ao descer a rodovia Costa Rego em demanda a ti, numa tarde ao cair do sol, descortinamos com uma panorâmica espetacular, cujas águas claras e mansas da tua lagoa, oferecendo aos conterrâneos e visitantes uma vista que nos faz refletir como o Criador fora tão bondoso para com a nossa gente em nos presentear com aquele verdadeiro cartão postal. Ontem, foste o estuário do pescado, com a criação e renovação da corimã, camurim, carapeba, bagre, siri e camarão. Hoje, sem medo de errar e descompromissados com quem quer que seja das áreas econômica, política e até do poder público, afirmamos seres, unicamente, receptáculo das tibornas das usinas e dejetos das indústrias existentes às áreas ribeirinhas do Vale do Rio Paraíba. Chorando ou sorrindo, mostrando as mazelas e a omissão dos péssimos administradores de outrora e até dos teus filhos ilustres que estiveram no poder, onde nada fizeram por ti, receba, de qualquer maneira, nossos parabéns, clamando a Deus que as gerações futuras sejam mais gratas e amáveis do que a de hoje e a do pretérito, que apenas usufruíram do teu nome e das tuas riquezas.