Opinião
Guerra contra o tr�fico exige mais que pol�cia
Chama a atenção o número de presos na operação policial realizada no município de Delmiro Gouveia, como mostra reportagem nesta edição da Gazeta: mais de 30 pessoas acusadas de ligação com o tráfico de drogas no Sertão. Alguns dos detidos confessam a condição de usuários, mas negam que sejam traficantes. Há alguns dias, a ofensiva policial se deu no outro lado do Estado, em São Miguel dos Campos. Nesse município, não foi a primeira vez que investigações levaram as autoridades a desmantelar grupos que atuam no comércio de maconha e crack, principalmente. Não há ressalvas ao trabalho policial de combate a esse braço do crime organizado, que precisa ser enfrentado de maneira permanente. Mas a ofensiva para debelar quadrilhas não consegue diminuir o problema ? está provado aqui e no mundo inteiro. Tanto que essas ações que resultam na captura de dezenas de suspeitos se repetem ao longo dos anos, sem que haja redução no tipo de crime. Os governos estão cansados de saber da ineficácia dos investimentos na repressão às drogas ? se isso não estiver acompanhado de uma estratégia mais ampla. Há anos, se arrasta o debate sobre a legislação que trata do tema. Ao longo do ano passado, esquentou o debate sobre a descriminalização do uso da maconha. O consenso sobre o melhor caminho parece longe de ser estabelecido. Se em Alagoas ocorrem tantas prisões, deduz-se que o negócio estaria mais em expansão do que diminuindo. Um detalhe fundamental é que dificilmente se vê, entre os capturados, algum líder do tráfico. Ou seja, também nesse ramo, apenas os pequenos peixes caem na rede; os grandes predadores continuam soltos no oceano da produção e venda. É importante o investimento no aparato policial para a repressão, mas pode ser visto também como um grave desperdício, diante do resultado inexpressivo: nada muda. Nos próximos dias, mais uma campanha será lançada no Estado, desta vez para o combate ao crack. Que seja um avanço.