Opinião
ANESTESIA DO AL�M
O primeiro médico a usar éter etílico para anestesiar um paciente foi Crawford Long, em março de 1842. Com isso, pôde remover um tumor do pescoço de um paciente. A primeira demonstração pública do uso do clorofórmio foi feita pelo dentista Thomas Morton, em um paciente operado em seguida pelo cirurgião John Collins. Iniciava-se um capítulo extraordinário da história da Medicina e da humanidade, pois as grandes cirurgias passavam a ser potencialmente factíveis. O médico e escritor Sir. Oliver Holmes,deslumbrado com as perspectivas que a anestesia abria, descreveu esse procedimento como ?A Dor Bloqueada ou Temporariamente Removida?. Desde então, a anestesia passou a ser um dos mais importantes e indispensáveis atos médicos. Esta semana, os anestesistas alagoanos, premidos por uma remuneração das mais aviltadas, se viram obrigados a interromper suas atividades para as cirurgias eletivas do SUS. Foi uma decisão extremamente dolorosa para todos: para os pacientes, os anestesistas e os diretores dos hospitais, que tentaram, de todas as formas, evitar esse desfecho extremo. Foi uma semana desafortunada também para a presidente Dilma, quando Barbirato defenestrou Romero Jucá da liderança do governo no Senado e indicou Eduardo Braga, que, segundo o jurista Areias Bulhões, pertenceria ao pré-mobral da política; enquanto Jucá, reconhecido vallet de chambre de Sarney, comporia com Sarney e Renam um grupo pós-PHDs em política ? super-eminências senatoriais que podem ler o que não foi escrito e ouvir o que não foi dito. Dificílimo para a presidente Dilma conseguir fazer um governo razoavelmente técnico, sem verter a coluna aos acordos políticos rasteiros, após oito anos de ?Toma lá, dá cá? do presidente Lula. Dificilmente, pode ou tem condições de espanar a poeira e dar um grito de independência, mantidas as condições que antecederam sua assunção ao Planalto. Enquanto isso, a população usuária do SUS continua sua peregrinação dolorosa em busca de uma saúde cada vez mais distante. Não só os anestesistas, mas também os cirurgiões que trabalham para o SUS, igualmente premidos por tabelas aviltantes, cada vez mais deixam de atender a esses infelicitados pacientes. As promessas de campanha, de que a saúde pública seria prioridade, novamente são ignoradas. Tendo oposição maior entre os aliados, Dilma, em breve, pode ver seu eleitorado ser operado sem anestesia. Provavelmente, pelas mãos de João de Deus, o médium goiano que cuida de Lula.