Opinião
EXPERI�NCIA E GOVERNABILIDADE
Sempre achei o Senado Federal a casa, por excelência, dos mais velhos. Não que sugira a senectude, mas acima de tudo a experiência, a vivência, o peso das atribulações que, no âmbito governamental, são de extrema necessidade para aqueles que por lá passam. O pronunciamento do senador Fernando Collor, naquela casa, nos últimos dias, bem diz do que penso. Por todos os meios de comunicação, as opiniões quase que convergem para uma crítica mais severa à presidente Dilma Rousseff, pelo seu modo intransigente, às vezes até severo, no trato com seus aliados, a chamada base que sustenta a governabilidade. A interlocução entre o Planalto e o Congresso fica muito a desejar no que tange à consideração, à afabilidade, levando o professor em Ética Roberto Romano a dizer que a ministra Ideli Salvatti compara-se a um elefante em loja de biscuit ? coisa que só Dilma não vê, talvez pela compatibilidade de gênios. Pois é exatamente neste ponto que o ex-presidente colocou o dedo. Digo sempre que se tem sentimento diferente quando o calo aperta. E essa dor ele já sentiu. Foi bastante claro, quando afirmou ter sido destronado por sua falta de cuidado no trato com o Legislativo. Pensava poder governar sem o mesmo. Pediu à presidente que, mesmo na impossibilidade de atender àquelas casas, lembrasse de dispensar mais atenção, cortesia com seus integrantes, pois nem sempre é possível atender a todos em seus pleitos, mas sempre tentar deixá-los satisfeitos. Nessa saudação de despedida ao colega Romero Jucá, quando este se afastava da liderança do governo no Senado, ao mesmo tempo em que elogiou o seu desempenho durante tantos anos naquela árdua missão, não esqueceu de mandar um recado para o novo líder. Pediu-lhe que a impetuosidade da sua jovialidade não o fizesse enveredar por caminhos difíceis de serem contornados. Mais uma vez, veio-lhe à lembrança sua passagem pela presidência. E senti, nas entrelinhas de seu discurso, um conselho para seus pares. Sabedor de que todos ali têm compromissos com suas bases, seus partidos, necessitando, portanto, de atendê-los, é preciso que não se vá com tanta sede ao pote em suas reivindicações. Porém senti, acima de tudo, sua persistente preocupação com a estabilidade governamental que, se para outros parece uma muralha indestrutível, para ele é como uma tênue teia de aranha, quando não tratada com o devido esmero. Que seus conselhos, frutos de anos de reflexão, sejam ouvidos e analisados por aqueles que têm o dever de bem conduzir essa nação.