Opinião
Pol�cia precisa de mais apoio e investimento
Na semana que passou, a Polícia Militar foi notícia como algoz e vítima, ao mesmo tempo. No primeiro caso, famílias de áreas pobres de Maceió denunciaram ter sido vítimas de truculência em ação oficial de combate ao tráfico de drogas. Durante batida em barracos e casebres na região do Dique Estrada, militares da Radiopatrulha e do Primeiro batalhão teriam destruído objetos e pertences dos moradores invadidos ? sem mandados de busca expedidos pela Justiça. Mas, na quinta-feira, algo muito grave ? e recorrente ? fez a tropa sentir o baque da violência urbana. Um jovem policial foi executado a sangue frio, com um tiro na cabeça, dentro de um micro-ônibus. Tudo indica ter sido assassinado justamente por ser um policial militar. A farda o denunciou aos bandidos que estavam no veículo para praticar mais um assalto. A tragédia familiar ? e também para a instituição ? tem a força de um trauma. Certamente, é necessário um poderoso método de trabalho para suportar casos extremos como esse. O soldado era Walter Sá, que morreu sem chance de defesa. Estranhamente, não se viu uma manifestação sequer do comando da PM, muito menos do governo do Estado. A Associação de Cabos e Soldados divulgou uma carta aberta ao governador e ao secretário de Defesa Social, cobrando mais investimentos na segurança pública. O texto falava do drama do policial, que corre risco apenas por ser identificado como um PM. Historicamente, as forças policiais atraem admiração e repulsa por parte da população. O ideal seria o completo apoio, solidariedade e, principalmente, a confiança da sociedade em suas polícias. Os anos de repressão da ditadura militar certamente contribuíram para fomentar o sentimento de pouca simpatia com as forças policiais. É profundamente equivocada, porém, a a antipatia gratuita pela instituição cujo papel constitucional é justamente o de garantir a ordem, a tranquilidade, a convivência civilizada entre os cidadãos.