Opinião
TRIBUTO A EVANDRO LINS E SILVA
Em todas as áreas de conhecimento, surgem aqueles reconhecidos como grandes profissionais. Mas há também os que vão além desse ponto, tornando-se merecidamente verdadeiros mitos. Evandro Lins e Silva era uma dessas mentes privilegiadas, que, aliadas ao bom caráter, ao gosto incessante pelos estudos e ao amor pelas atividades que exercem, nos proporcionam o prazer de ver até onde podem ir a genialidade e a bondade do ser humano, unidas num exemplo de brilho intelectual e valor moral que vale cada vez mais, principalmente nesta época em que a desonestidade e a mediocridade tentam avançar em todos os setores, da arte à política. Dentre suas inesquecíveis atuações, dotadas de grande força simbólica pelo testemunho cívico a todos nós deixado, muitas são históricas e memoráveis. Professor universitário e fundador do Partido Socialista Brasileiro, começou a destacar-se como advogado criminalista ao defender políticos perseguidos pela Ditadura Vargas. Foi, ainda, procurador-geral da República, chefe da Casa Civil, ministro das Relações Exteriores e ministro do Supremo Tribunal Federal, cargo este do qual foi retirado pela Ditadura Militar, compulsoriamente aposentado. Retornou então à advocacia criminal, participando de julgamentos de grande repercussão nacional, a exemplo dos casos Doca Street e José Rainha, ex- líder do MST. Além disso tudo, foi um brilhante Conselheiro Federal da OAB. Autor de diversos trabalhos na área de Direito Penal, Processo Penal e Ciência Penitenciária, ingressou na Academia Brasileira de Letras em 1998. Em 2002, pouco antes de falecer, recebera com justiça o Prêmio Nacional de Direitos Humanos e tivera restabelecidas as condecorações que lhe haviam sido cassadas pela ditadura. Tive a honra e o prazer de conhecê-lo pessoalmente no Conselho Federal da OAB e os seus ensinamentos, sua vida e a mão amiga me inspiraram a lutar não apenas pelas liberdades e pelo Direito, mas para tentar ser um mensageiro de uma advocacia forte, independente, plural e para todos, dando ênfase à defesa do advogado, sem perder de vista o importante papel da OAB na sociedade. Neste ano de 2012, em que ele completaria 100 anos se estivesse vivo, dedico-lhe, com emoção, este texto, que espelha justiça, reverência e sincera homenagem a um dos verdadeiros e maiores juristas brasileiros.