Opinião
MERCADO DA LAMA E DO LIXO
Quando chove, a água vem até a canela?. Eis o que a gente colhe de comentário sobre o Mercado de Maceió quando digita um buscador de informações na internet. É bem verdade que a adjacência, de certa forma, contribui para esse cenário charco que, historicamente, envolve o velho Mercado da Produção, construído na segunda metade da década de 1970, quando o prefeito de Maceió era o engenheiro Dilton Simões, que drenou o canal da Levada e ergueu o espaço de comercialização de hortigranjeiros e de pescados em geral. Passados mais de 35 anos desde a inauguração, o nosso mercado converteu-se em algo, no mínimo, asqueroso. Quem frequenta aquele ambiente sabe da exata dimensão do que está sendo aqui tratado. Se no verão a lama ainda teima em estar presente entre os feirantes, avalie no inverno. À lama, associamos o mau cheiro, a desorganização, a falta de higiene dos tarimbeiros e de muitas pessoas que por ali circulam. Estes, em regra, ainda contribuem com a sujeira espalhada pelo chão. Não bastando, ainda é preciso ter cuidado ao caminhar por lá, pois um carro de mão pode a qualquer momento trombar no calcanhar de alguém. É lamentável que o mercado municipal de uma capital, com mais de um milhão de habitantes, ainda seja tratado com tanto desprezo. Para se confrontar a essa ?Casa de Noca?, vale aqui mencionar como algumas cidades gerenciam seus mercados. Aliás, alguns espaços já viraram há muito tempo atrativo turístico, verdadeiros centros de gastronomia, em que o nativo e o turista para lá se dirigem de forma prazerosa. O mercado público é uma referência, onde se encontra um pouco da cultura, costumes e principais iguarias produzidas pela comunidade. No mercado de Santiago, no Chile, é praticamente impossível entrar e sair sem comer nada. Ao lado dos restaurantes, há tarimbas de pescados e gôndolas que enchem os olhos dos clientes e visitantes. Temos vários, como o de Porto Alegre, de Florianópolis e de São Paulo. Há exemplos mais próximos e dignos de registro: o Mercado Antonio Franco, de Aracaju, fundado em 1926. Logo, não se pode falar em gestão moderna com um mercado maltratado como o nosso. A mudança de Maceió passa também pela transformação do mercado em ambiente decente, alforriado da politicalha que costuma congestionar seus corredores malcheirosos. O mercado é algo estratégico para qualquer cidade e deve ser tratado como um centro de oportunidades.