Opinião
Quando os verdes amarelam feio
Novos vazamentos de petróleo na perfuração do Campo do Frade, situado na Bacia de Campos, Estado do Rio, põem a Agência Nacional de Petróleo em estado de alerta. Um comitê de trabalho foi criado para analisar detalhadamente o quadro. Os problemas no Campo do Frade começaram em novembro do ano passado e recorrentes vazamentos têm sido denunciados pelos técnicos da ANP e pela mídia. O mais instigante da questão não está no desastre em si, mas no silêncio radical dos grupos ambientalistas. Mormente agitados, explosivos, apopléticos, quando o tema tem a ver com projetos brasileiros de grande impacto desenvolvimentista (como a construção de estaleiros), o ativismo verde amarelou quando o escuro do petróleo espalhou-se na Bacia de Campos. Por que será? Por quem não estão a dobrar esses sinos verdejantes? Será que é por que a empresa responsável pelo desastre não é brasileira? Se a responsabilidade estivesse sobre a Petrobras, e não sobre a Chevron, não será que a veia guerrilheira das ONGs do momento estariam a impulsionar corações e mentes em mais uma luta renhida sob uma tremulante green flag. Onde estarão as brigadas verdejantes que tanto se esgoelaram contra o Novo Código Florestal? Onde andarão as verdes falanges que combatem sem tréguas, com toda energia, a construção da hidrelétrica de Belo Monte? Certamente trata-se de um engano. Ou do desinteresse da mídia em cobrir as manifestações contra a Chevron. Quem sabe esses protestos estejam acontecendo alhures, na sede da empresa nos EUA? O fato é que, a cada dia, fica mais evidente a manipulação política no radicalismo ideológico da causa ambientalista. Os alvos passam a ser as iniciativas para o desenvolvimento dos países emergentes (transformam-se em vilões o agronegócio e as ciências agronômicas e se endeusa o atraso da agricultura de subsistência), enquanto os danos ambientais causados pelas potências ocidentais são relegados a um honroso segundo plano quando não ao esquecimento puro e simples.