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Opinião

OBAMA E O SUS

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O cineasta Michael Moore fez filmes memoráveis denunciando as mazelas do ?way of life? americano. Com o documentário Sicko, denunciava o desumano Sistema de Saúde dos EUA,onde as seguradoras de saúde negavam atendimento aos seus segurados em situações críticas que os levaram ao óbito, e apontava mais de 30 milhões de cidadãos sem direito a nenhum tipo de assistência médica. Nos próximos dias a Suprema Corte de lá deverá apreciar um recurso coletivo de 26 Estados americanos que alegam que a Reforma da Saúde aprovada por Obama no Congresso é inconstitucional. Essa reforma provê assistência médica para esses milhões de deserdados e tenta humanizar a cara e eficiente medicina americana, distribuindo ônus com equalização. Mesmo assim, os EUA investem 5.711 dólares per capita/ano, dos quais 44,61% vêm dos cofres públicos, e isso vem em um crescendo: em 1965, investia em saúde 5,96% e agora investe 16,8% do PIB do país. No Brasil o investimento é de apenas 212 dólares per capita, 3,6% do PIB, dos quais os cofres públicos investem R$ 29 bilhões, apenas 45,3% dos custos para cobrir 3/4 da população que só têm o SUS, enquanto as seguradoras de saúde investem 59 bilhões para cobrir o 1/4 da população brasileira que tem direito a plano de saúde: 54,7% dos recursos investidos em saúde. Recentemente, houve grande alarde da propaganda governamental: o PIB brasileiro superou o da Inglaterra! Todavia, no Reino Unido, se investem 2.428 dólares per capita, dos quais 85,7% são de recursos públicos. Aqui na vizinha Argentina, investe-se o dobro do Brasil, U$ 426, dos quais, 70,4% são de recursos públicos. No Brasil, ao contrário, vem ocorrendo um sistemático afastamento do governo federal, que, em 2008, cobria 75% dos custos da saúde pública, e hoje cobre um pouco mais de 50%, custos que têm sido repassados gradativa e impiedosamente para as esferas estaduais e municipais. Nos EUA, Obama enfrenta os conservadores no sentido de democratizar o Sistema de Saúde Pública. No Brasil, temos grandes desafios: a corrupção vigente no Poder Público contamina os hospitais públicos federais; mas não será esse o único mal: o alto custo e o baixo desempenho dessas instituições no atendimento ao SUS são um agravo. O que não invalida a constatação: os investimentos em saúde no Brasil estão entre os menores do mundo e os descalabros não podem encobrir essa realidade.

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