Opinião
Os emergentes e a solidariedade
Uma notícia alvissareira: Os países integrantes do grupamento Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul)estão dando um show em termos de incremento a políticas de cooperação internacional. Esta é a avaliação da Global Health Strategies initiatives (entidade internacional que também atende pela sigla GHSi), cujo relatório foi dado à luz dos holofotes da mídia globalizada ontem, em Nova Deli, na Índia. Esses estudos estão sendo divulgados como aperitivos midiáticos um pouco antes da 4ª Cúpula dos Brics, evento que reunirá delegações do mais alto nível governamental (do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) na cidade de Nova Deli, durante dos dias 28 e 29 de março. Os estudos da GHSi confirmam que os países desenvolvidos ainda são os que disponibilizam o maior volume de recursos para programas de cooperação internacional. Mas, além dos investimentos dos Brics estarem se elevando na proporção de seu crescimento econômico, ?alguns doadores tradicionais reduziram ou ficaram no mesmo patamar de gastos em termos de ajuda externa? informam os dirigentes da entidade. ?Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul ? aumentaram sua participação em ajuda a nações pobres em um ritmo dez vezes maior que o do G7 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido ,França, Itália e Canadá) entre 2005 e 2010, e estão criando novos modelos para a cooperação internacional? ressalta o estudo realizado pela GHSi. ?Os Brics estão estabelecendo novos modelos para cooperação que desafiam a forma como vemos a ajuda externa. De forma geral, eles não se veem como doadores tradicionais. Em vez disso, eles enfatizam a cooperação Sul-Sul e programas que deixem um legado de qualificação e de transferência de tecnologia, além de usar lições de sua própria experiência em relação à saúde? dizem os estudiosos. Um exemplo, que merece também ser replicado para as populações pobres que vivem dificuldades nos próprios Brics; afinal, a solidariedade começa em casa.