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Um basta para a antropofagia digital

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No tempo das caravelas, o transporte entre duas capitanias brasileiras tinha previsão de duração incerta e as garantias para os viajantes eram as mais etéreas possíveis, como pode ser visto na famosa ocorrência com a nau Nossa Senhora da Ajuda que teria adernado nos Baixos Dom Rodrigo, no Litoral alagoano, naufragado e seus passageiros sobreviventes ficado expostos ao apetite de supostos antropófagos que teriam devorado o primeiro bispo do Brasil, dom Fernandes Sardinha. Como o tempo não anda para trás, essas condições arriscadas, desprovidas de direitos para os usuários e de deveres para os prestadores de serviço, não mais existem. Felizmente. Assim como nos transportes, a revolução tecnológica deu-se em consonância com a evolução da cidadania. Mesmo que com velocidades diversas, mas o avanço é inegável para todos os segmentos da existência humana. Hoje, ninguém sequer cogita em embarcar num meio de transporte sem que seus direitos estejam garantidos. Assim é em todos os campos. O tempo dos velhos telefones há muito já passou. E não apenas em termos de sepultamento dos antigos sistemas analógicos, com os pesados aparelhos de baquelite e seu dial em disco metálico. Findou-se também o monopólio estatal, acabou-se a noção de que o portador de uma linha telefônica seria, apenas por essa posse, um privilegiado. Hoje, o usuário dos sistemas telefônicos não têm apenas acesso a um imenso menu de serviços digitais. Este usuário tem, igualmente, acesso a direitos contratuais que precisam ser respeitados. E as operadoras são algo além de vendedores compulsivos, tendo que responder por seus deveres, assumir e cumprir o contratado. Assim, é uma ótima notícia a decisão judicial que impede uma das operadoras de telefonia celular vender novas linhas se não tiver condições de fornecer o atendimento adequado. Este é um indispensável sinal de que a cidadania igualmente está modernizada e que os direitos dos consumidores foram escritos para serem respeitados. Chega de insegurança no trânsito de dados, basta de antropofagia digital.

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