Opinião
NO REINO DE MILL�R
Em artigo no Zero Hora de Porto Alegre, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Paulo Brossard, reproduz declaração do presidente do Partido Republicano ? que chama de antimonárquico ? na qual afirma que ?decidiram dar um ultimato ao governo federal?, ameaçando apoio à candidatura José Serra em São Paulo. Brossard presume que ao contrário do que pregam ser de uma grande inutilidade o Ministério da Pesca, ?sua prestança me parece clara... Serve de moeda de troca para pescar pretendentes vários?, mesmo não sabendo colocar uma isca no anzol. Mas isso é de menos importância, pois como lembra Cláudio Humberto, Getúlio Vargas já dizia que ?Ministérios se compõem de dois grupos: um formado por gente incapaz e outro por gente capaz de tudo?. A meu ver será difícil à mandatária maior perguntar ao recém-ministros e o mar está para pesca ou não. Mas, quem sabe? Daí o título deste artigo. Numa das Fábulas Fabulosas de Millôr Fernandes, ele narra que um rei persa indo caçar e após inquirir a seu ministro da meteorologia se iria chover e o mesmo responder-lhe que não iria chover durante dois meses, brincando, pergunta ao muar: ?como é, muar, você concorda com a predição aqui do meu ministro? Vai chover??. Jogando a cabeça para cima e para baixo, peremptório, o muar diz que sim, que iria chover. Ministro e rei caíram na gargalhada perante tal reação do muar. ?Mas essa gargalhada logo se transformou num esgar de contrariedade por parte do rei e num ricto de humilhação por parte do ministro quando, estando no meio da floresta, caiu uma tremenda tempestade?. Na mesma hora o rei despediu o seu ministro da meteorologia que ouviu do monarca irritado: ?Não adianta você querer se explicar. Um muar sabe mais de meteorologia do que você. Fá-lo-ei (que língua a nossa! ? o grifo é do autor) meu ministro!? E de fato nomeou o muar seu ministro. Moral: ?É por isso que hoje em dia qualquer muar acha que pode fazer parte do governo e virar mandachuva?. Com todo o respeito, digo eu. Livro escrito nos tempos da ditadura militar, Millôr frisa que ?muitas das fábulas aqui presentes já eram velhas no banquete de Baltazar e ainda serão novas quando o Brasil for uma democracia?. E, só para não ficar no que Millôr escreveu no passado e continuar no seu ?reino de humorismo?, aí vai uma, novíssima: ?Já observaram o refinamento, o cuidado,o extremo acabamento ? claro, a bom custo ? com que neste País, se exerce a incompetência??.