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Opinião

� FANT�STICO OU CATASTR�FICO?

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Há dois domingos, o programa global Fantástico denunciou falcatruas em licitações públicas. Muito à vontade, as empresas convidadas ofereceram propinas, demonstrando suas rotinas fraudulentas. Alguém se surpreendeu com o fato? É ingênuo acreditar que aquelas negociações são raras. Se pesquisarem, encontrarão irregularidades do Oiapoque ao Chuí! Os milhões de brasileiros, trabalhadores respeitáveis comprometidos com suas mais diversas tarefas, que convivam com a corruptocracia! Muito oportuno para o caso é homenagear o personagem Justo Veríssimo do genial Chico Anysio: ?Eu quero é que o pobre se exploda?. Enquanto o SUS agoniza, ambulâncias, medicamentos e aparelhagens caríssimas apodrecem por não serem distribuídos! Fatos semelhantes são denunciados, diariamente, pela mídia: são escolas sem carteiras, alunos sem merendas, hospitais superlotados sem estrutura e mais, e mais... Estes fatos são ?retalhos de um mesmo edredom?, peças do nosso contexto político?! Quem leu na Revista Veja de 21/03 a entrevista do jogador Romário, agora deputado federal, ascendeu sua indignação sobre a maioria dos parlamentares que compõem nosso Congresso. Revela o craque político: ?De mais de 500 deputados, uns 400 não querem saber de nada. Nada mesmo. Dão as caras, colocam a digital para marcar presença e se mandam?. Demonstrando tristeza e admiração com as declarações, a escritora Lya Luft, na mesma revista em 28/03, com muita propriedade, abordou o tema ?Voz no deserto?: ?Entristeceu-me que tão poucas pessoas reagissem, e que coubesse a ele, jogador de futebol e deputado novato o que muito de nós percebemos, mas não fazemos nada?! E questiona: ?Por que não formamos um grande coro? Por que temos receio de críticas ou preferimos desviar o rosto e olhos e fechar a boca?? Acredito que, como no contexto social, na moda ou na literatura, os excessos partam para o antagônico. Após o romantismo, veio o realismo. Conforta-me imaginar que já atingimos o âmago das corrupções. A sociedade começou a reagir: são denúncias, protestos; apesar de tímidos, já se mobilizam em favor da ética. Os recursos tecnológicos, câmeras, celulares têm colaborado neste cenário. Ressaltamos o papel do nosso sério jornalismo, guardião maior do cidadão brasileiro. Que saiamos do caos político com um povo mais politizado e representantes éticos. É Fantástico ou Catastrófico?

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