Opinião
Brics: crescimento lento, longo, mas real
Mais uma reunião significativa marca a tentativa renitente dos países do chamado grupo Brics adotarem linhas semelhantes de pensamento e ações coincidentes em tópicos de relevância mundial. Em Nova Deli, os líderes do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul debateram questões de importância e, ao que tudo indica, lograram êxito ao não pisarem em cascas de banana atiradas na passarela internacional. Uma dessas arapucas é o alinhamento automático com posições radicalizadas e polarizadas pelas grandes potências, como nas pressões contra o Irã. Outras questões armadilhadas são a explosiva polêmica sobre o uso pacífico da energia atômica e a mistura entre ficção e realidade da temática ambiental. Num balanço rápido, os Brics não meteram a mão em cumbuca. Um dos pontos positivos identificáveis à primeira vista é o conjunto de acordos onde o financiamento de comércio e investimentos poderão ser feitos em moeda local. Como decorrência desta decisão, crescem objetivamente as possibilidades de parcerias efetivas entre os bancos de desenvolvimento dessas nações. E, estrategicamente, dar-se-á um drible no velho dólar, cuja flutuação cambial sempre é uma ameaça para quem deseje subir na vida. Segundo nossa presidente, ?os Brics continuam sendo um elemento dinâmico da economia global e vão responder por uma parcela significativa do comércio. A notável expansão dos últimos anos do comércio intra Brics evidencia também o potencial das nossas relações. Nós passamos de US$ 27 bilhões em 2002 para estimados US$ 250 bilhões em 2011?. E mais, para além dos compromissos acertados entre as entidades bancárias, Dilma Rousseff informou que é para valer a criação de um grupo de trabalho encarregado de estudar a fundação de um banco de desenvolvimento próprio do grupamento Brics. Ou seja: a coisa parece que está pegando ar, e os ascendentes mundiais, se conseguirem manter a unidade, o futuro se lhes apresentará como alvissareiro. Mas que ninguém se iluda: a subida será longa e espinhosa.